Sobe para cinco o número de mortos em manifestações contra golpe militar no Sudão

Há relatos de "numerosos feridos por munições vivas", bem como "a brutalidade das forças militares" para controlar as manifestações na capital do Sudão, Cartum.

O número de civis mortos por disparos das forças de segurança sudanesas, durante a manifestação contra o golpe militar de 25 de outubro, subiu para cinco, existindo ainda vários feridos a registar, de acordo com ativistas.

A resposta das forças de segurança aumentou de violência à medida que os milhares de manifestantes pró-democracia enchiam as ruas um pouco por todo o país para protestarem contra o golpe que motivou já críticas internacionais.

As forças de segurança utilizaram este sábado munições reais e gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes em diferentes locais.

Pelo menos cinco manifestantes foram mortos em Cartum e na cidade de Omdurman: quatro por balas e um devido ao gás lacrimogéneo, de acordo com o Comité Médico do Sudão.

Registam-se ainda vários feridos, alguns com ferimentos de balas. Os comícios, convocados pelo movimento pró-democracia, acontecem dois dias depois de o líder do golpe, o general Abdel-Fattah Burhan, se ter reelegido chefe do Conselho Soberano, o órgão governamental interino do Sudão, o que enfureceu a aliança pró-democracia e frustrou os Estados Unidos e outros países que instaram os generais a reverter o seu golpe.

"Para mim, este é um conselho ilegítimo e esta foi uma decisão unilateral que foi tomada apenas por Burhan", disse o manifestante Wigdan Abbas, um trabalhador de 45 anos. "Foi uma decisão tomada por uma pessoa, sem consultar a coligação para a liberdade e a mudança", afirmou.

Os militares sudaneses tomaram o poder em 25 de outubro, dissolvendo o governo de transição e prendendo dezenas de funcionários e políticos.

A tomada do poder levou a uma frágil transição planeada para um regime democrático, mais de dois anos após uma revolta popular forçar a queda do autocrata de longa data Omar al-Bashir e do seu governo islamita.

Os protestos de hoje foram convocados pela Associação dos Profissionais Sudaneses e pelos chamados Comités de Resistência. Ambos os grupos foram as principais forças por detrás da revolta contra al-Bashir, em abril de 2019.

Outros partidos e movimentos políticos juntaram-se ao apelo. O Comité dos Médicos Sudaneses também faz parte do movimento pró-democracia.

O movimento opõe-se ao regresso ao acordo de partilha do poder que estabeleceu o governo de transição deposto no final de 2019 e exige uma entrega total aos civis para liderar a transição para a democracia.

Notícia atualizada às 18h12

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