Médicos de saúde pública dizem não haver razão para exclusão de Portugal da lista britânica

O critério usado pelo Reino Unido - ou seja, a incidência da Covid-19 por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias - coloca Portugal próximo de outros países que foram incluídos nos corredores turísticos.

Os especialistas da Escola Nacional de Saúde Pública contestam a decisão britânica de não incluir Portugal na lista de países seguros. Uma análise efetuada nos últimos dias e divulgada esta quarta-feira mostra que a incidência real da Covid-19 por cem mil habitantes em Portugal é muito inferior aos nú​​​​​​meros do Reino Unido.

Os autores defendem que Portugal está a ser penalizado por uma métrica que não reflete a epidemia no país e que traz graves consequências económicas e sociais.

O critério usado pelo Reino Unido - ou seja, a incidência da Covid-19 por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias - coloca Portugal próximo de outros países que foram incluídos nos corredores turísticos do Governo britânico. O número português é também bastante inferior à incidência no Reino Unido.

Por outro lado, Portugal é dos países que mais testa por habitante, o que leva ao diagnóstico de muitos casos assintomáticos ou com sintomas ligeiros, que não entram nas contas de países europeus que fazem menos testes.

Nas últimas semanas, Portugal foi um dos países que registou uma das taxas de casos positivos mais baixas da Europa e do mundo.

A análise sublinha ainda que Portugal tem um sistema nacional de saúde com boa capacidade de resposta, tem taxas de mortalidade e letalidade muito mais baixas do que Espanha, França, Itália ou Reino Unido.

Os internamentos, mesmo em cuidados intensivos, apresentam também valores baixos.

O documento refere que Inglaterra tomou a parte pelo todo, e que regiões como o Algarve, Madeira ou Porto têm poucos casos de Covid-19. Mais de 70% dos novos casos concentram-se em Lisboa.

Os investigadores da escola nacional de saúde publica são por isso taxativos: a decisão do Reino Unido não faz sentido e falta-lhe rigor técnico-científico, bem como transparência.

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