Membro do novo IRA detido na Irlanda do Norte por fabrico de explosivos

O novo IRA admitiu ser responsável pela morte, em abril de 2019, da jornalista Lyra McKee, que foi baleada enquanto fazia a cobertura informativa de confrontos em Londonderry.

A polícia da Irlanda do Norte anunciou na terça-feira a detenção de uma mulher, durante uma investigação sobre atividades de fabricação de dispositivos explosivos pelo novo IRA, um grupo dissidente republicano.

A mulher, de 52 anos, foi detida no bairro católico de Greggan em Derry/Londonderry, no âmbito de uma investigação sobre "as novas atividades de fabricação de bombas do IRA", bem como o armazenamento de artefactos explosivos, disse em comunicado a investigadora Clara Heaton, da polícia da Irlanda do Norte.

"A nossa investigação visa garantir a segurança da população e protegê-la da ameaça representada por grupos violentos", explicou Heaton, sublinhando que "o fabrico, o armazenamento de explosivos caseiros instáveis em zonas residenciais põe todos em perigo, sem discriminação".

A detenção ocorre três semanas antes do cinquentenário do massacre do "Domingo Sangrento", durante o qual um total de 14 civis foram mortos por soldados britânicos durante uma marcha pacífica, representando um dos episódios mais trágicos do conflito entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte.

O novo IRA admitiu ser responsável pela morte, em abril de 2019, da jornalista Lyra McKee, que foi baleada enquanto fazia a cobertura informativa de confrontos em Londonderry.

O novo IRA apresentou "as suas sinceras e completas desculpas" à família da jornalista, argumentando que a balearam porque McKee "estava ao lado das forças inimigas", referindo-se à força policial.

O grupo dissidente republicano também reivindicou a colocação de um dispositivo explosivo que foi descoberto em abril de 2021 sob o carro de uma polícia na cidade de Dungiven.

Estes acontecimentos ocorreram num contexto de escalada de tensões na Irlanda do Norte, após uma dúzia de noites de violência num cenário de revolta contra os controlos alfandegários introduzidos pelo 'Brexit' entre Londres e a Irlanda do Norte, uma província britânica.

A violência fez ressurgir memórias dos confrontos que ao longo de três décadas opôs republicanos, maioritariamente católicos, a favor da reunificação da Irlanda contra unionistas protestantes, defensores da adesão do norte da ilha ao Reino Unido.

O Acordo da Sexta-feira Santa, concluído em 1998, pôs fim ao conflito que provocou 3500 mortes e que estabeleceu uma paz frágil, mas os grupos paramilitares permaneceram ativos.

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