Menos 1,59 milissegundos do que o normal. Dia 29 de junho de 2022 foi o mais curto de sempre

Nos últimos anos, os cientistas verificaram que a rotação da Terra tem vindo a acelerar, algo que poderá estar ligado à crise climática, nomeadamente ao derretimento dos glaciares nos polos Norte e Sul.

O dia 29 de junho de 2022 foi o dia mais curto na Terra desde a invenção do relógio atómico. De acordo com o Serviço Internacional de Rotação da Terra e Sistemas de Referência, citado pela CNN Internacional, neste dia, a rotação do planeta mediu 1,59 milissegundos a menos do que o dia normal, que tem 24 horas.

A rotação é o tempo que a Terra demora a girar uma vez no seu próprio eixo, que é de aproximadamente 86.400 segundos. O recorde anterior tinha sido quebrado a 19 de julho de 2020, quando o dia teve 1,47 milissegundos a menos do que o normal.

O relógio atómico é uma unidade de medida padronizada que tem sido usada desde a década de 1950 para contar o tempo e medir a rotação da Terra, disse Dennis McCarthy, diretor aposentado do Observatório Naval dos EUA, em declarações citadas pela televisão norte-americana.

"A nossa existência quotidiana nem reconhece esse milissegundo", referiu McCarthy. "Mas se essas coisas se somarem, isso pode mudar a taxa na qual inserimos um segundo intercalar."

Um segundo intercalar refere-se a um ajuste de um segundo feito para manter os padrões de contagem do tempo civil próximos ao tempo solar.

Nos casos em que os milissegundos se acumulam ao longo do tempo, a comunidade científica adicionou um segundo ao relógio para desacelerar o nosso tempo e corresponder ao da Terra, sublinhou McCarthy. Desde 1972, houve 27 segundos intercalares adicionados.

O especialista acrescentou que, apesar de o dia 29 de junho de 2022 ter sido o dia mais curto da história moderna, já houve, anteriormente, dias muito mais curtos na Terra.

De acordo com um estudo de 2020, publicado na revista científica Paleoceanography and Paleoclimatology, quando os dinossauros ainda andavam pelo planeta, há 70 milhões de anos, um único dia na Terra durava cerca de 23 horas e meia.

Desde 1820, os cientistas têm documentado a desaceleração da rotação da Terra, mas nos últimos anos verificaram que começou a acelerar, afirmou McCarthy, que explica que o movimento mais rápido poderá estar ligado ao ajuste isostático glacial ou ao derretimento dos glaciares.

Devido à crise climática, os polos Norte e Sul estão a derreter, pelo que há menos pressão na parte superior e inferior do planeta, movendo a crosta para cima e tornando a Terra mais redonda, esclareceu o especialista. A forma cada vez mais circular ajuda o planeta a girar mais rápido, reforçou McCarthy.

O perito indicou ainda que à medida que a Terra se torna mais redonda, a sua massa aproxima-se do seu centro, aumentando a velocidade de rotação.

"Como a Terra está agora a girar mais rápido, um segundo intercalar precisaria de ser retirado para acompanhar o nosso tempo com a crescente velocidade rotacional da Terra", sustentou.

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