"Mercado de deputados" no Brasil chega ao fim com 135 transferências

Durante um mês foi permitido aos parlamentares mudar de partido, à imagem do período de contratações no futebol. Novo partido de Bolsonaro reforçou-se com 41 caras novas, União Brasil perdeu 45.

Terminou neste fim de semana a janela de transferências de deputados no Brasil, período de um mês em que são permitidas trocas de parlamentares de partido para partido, muitas vezes, comparado à janela de mercado de janeiro no futebol. No total, 26% dos integrantes da Câmara dos Deputados, ou seja, 135 de 513 parlamentares aproveitaram para mudar de partido. A força política que mais se reforçou, sem surpresa, foi o PL, nova formação de Jair Bolsonaro. E a que mais perdeu representantes, também como se esperava, o União Brasil.

O União Brasil é o mais recente partido do país, formado pela fusão do DEM e do PSL, ambos de centro-direita. Sucede que o PSL é o ex-partido de Bolsonaro composto, mais ou menos em igual número, por adeptos do presidente e por dissidentes do governo - os primeiros aproveitaram a janela para sair e juntarem-se ao PL, novo abrigo dos bolsonaristas. No total, 45 deputados saíram do União, entrando nove novos nomes, o que se salda em menos 36 parlamentares. No PL, entraram 41 e saíram nove, uma diferença de 32 reforços.

De resto, outros 19 partidos registaram entradas ou saídas, como o PT, de Lula da Silva, agora com mais dois deputados na bancada. A maior parte das transferências ocorreu nos últimos dias do "mercado" (assim como costuma suceder na janela de futebol), quando os deputados se sentiram com mais força para negociar e escolher os partidos que lhes oferecessem mais recursos para as campanhas eleitorais que se avizinham.

Embora chamada de "farra" por parte da imprensa e alvo de piadas no Brasil e fora dele, a janela partidária foi criada em 2015 com o objetivo de moralizar a política parlamentar do Brasil - antes, os deputados entravam e saíam dos partidos em qualquer momento da legislatura e sem regras.

Com mais de 30 partidos com assento parlamentar, dos quais cerca de metade integram o chamado "centrão", composto por formações sem ideologia definida que apoiam o governo, seja ele qual for, com o objetivo de atrair cargos e verbas na máquina pública, a política do Brasil é vulnerável a este tipo de práticas.

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