Milhares de migrantes transferidos para novo campo na Grécia em operação policial

Vários refugiados estão a recusar a transferência para um novo campo por receio de novos atrasos na transferência para o continente grego.

Uma operação policial está hoje em curso na ilha grega de Lesbos para transferir milhares de migrantes a viver na rua, depois do incêndio do campo de Moria, para um novo campo.

Cerca das 07h00 (05h00 em Lisboa), a polícia começou a levar os migrantes para um campo construído à pressa, na sequência do incêndio há uma semana no campo onde viviam perto de 13 mil refugiados e que deixou milhares de pessoas nas ruas e nos estacionamentos de supermercados encerrados, de acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP).

As autoridades gregas e a ONU estavam a construir, desde sábado, um novo campo a partir do qual podem ser retomados os procedimentos de concessão de asilo.

Mas numerosos refugiados estão a recusar instalar-se no novo campo, por recearem ficarem novamente meses à espera de serem transferidos para o continente grego, ou um outro país europeu.

Europa não deve olhar para a migração "como um flagelo ou invasão"

À TSF, Miguel Duarte, voluntário português de uma organização humanitária alemã no terreno em Lesbos, defende que "é preciso reformar o Acordo de Dublin", uma vez que "põe quase toda a responsabilidade de lidar com o fluxo migratório nos países-fronteira da União Europeia".

O português pede aos países europeus que não olhem para a migração "como um flagelo ou invasão" e lembra que foi neste continente que "nasceu a Declaração Universal dos Direitos Humanos", mas é também a Europa que "constrói estes campos e patrocina a violação dos direitos humanos de todas estas pessoas".

O voluntário português exorta a Europa e parar com a "detenção de requerentes de asilo" porque quem quer vir para a Europa por correr "risco de vida no seu país" devia, antes de tudo, "poder pedir asilo no seu país" sem ter de "pisar solo europeu para o fazer". E exposta essa questão, "não devia ter de passar por uma situação extremamente precária para conseguir que o seu processo seja levado a cabo".

Há, por esta altura, uma petição que exige o fim imediato de campos como de Moria, e a colocação dos requerentes de asilo em condições humanas. "É preciso evacuar Moria imediatamente", alerta o voluntário.

"É preciso tirar todas estas pessoas dali, implementar medidas de apoio a todas, que lhes garantam os direitos mais básicos e, acima de tudo, que garantam que a Europa para com as violações de direitos humanos que tem estado a cometer, ano após ano, nas suas fronteiras", em particular nas ilhas gregas.

O objetivo do novo campo é que os refugiados "possam progressivamente, e com calma, deixar a ilha com destino a Atenas" ou "serem reinstalados noutro local", indicou na quarta-feira o representante na Grécia do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), Philippe Leclerc.

O enorme campo de Moria, erguido há cinco anos no auge da crise migratória, foi totalmente destruído por um incêndio na madrugada de 09 de setembro.

Seis jovens afegãos são suspeitos de estarem envolvidos no desastre, quatro dos quais foram indiciados em Lesbos por incêndio criminoso, incitação à violência a uso ilegal de força.

Outros dois suspeitos, de 17 anos, já tinham sido transferidos para o continente num grupo de 400 menores desacompanhados de Moria, mas serão encaminhados para o Ministério Público em data posterior, indicou fonte judicial.

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