Militares efetuaram rusga na casa do tio de Juan Guaidó

Juan José Márquez está acusado pelas autoridades de ter transportado explosivos num avião da TAP.

A oposição venezuelana denunciou hoje que funcionários da Direção-geral de Contrainteligência Militar efetuaram uma rusga na casa de Juan José Márquez, acusado pelas autoridades de ter transportado explosivos num avião da TAP.

Juan José Márquez é tio do líder político opositor Juan Guaidó e está detido desde 11 de fevereiro último.

"Eles levaram vários documentos, telefones, computadores portáteis e passaportes, mas não conseguiram encontrar absolutamente nada", disse o advogado da defesa de Juan José Márquez aos jornalistas.

Joel Garcia explicou que na rusga, que demorou mais de duas horas, participaram oito funcionários da DGCIM, armados, e que esteve presente um procurador do Ministério público, adiantando que na casa encontrava-se a mulher do detido e os filhos.

"Leram um mandado de busca emitido por um tribunal de Vargas que nada conhece do assunto. Leram a ordem, mas ela (a mulher) não a teve nas suas mãos", disse precisando que os militares tentaram impedir que o advogado estivesse presente.

"Menos mal que um dos membros da equipa de defesa de Juan José Márquez, pôde entrar e evitámos que pudessem 'plantar' qualquer coisa", afirmou, referindo-se a algum tipo de tentativa de colocação de provas incriminatórias.

O advogado denunciou ainda que um dos militares disse a uma das crianças que "ficaria órfã", porque o pai estava preso e deteriam também a mãe.

"Foi uma situação premente e horrível, que muitos venezuelanos continuarão vivendo nos próximos dias", frisou.

Também o líder opositor Juan Guaidó se referiu ao acontecido através do Twitter, sublinhando que a oposição não retrocederá nas suas ações.

"A ditadura cobarde está a fazer uma rusga na casa do meu tio Juan Márquez. Com os órgãos repressivos e de perseguição, procuram continuar com uma farsa em que ninguém acredita. Se pensam que vamos retroceder nas ações que temos tomado e que vamos tomar, estão enganados", escreveu.

Fabiana Rosales, mulher de Juan Guaidó, disse aos jornalistas que o ocorrido é "mais uma amostra de como funciona o regime".

"De madrugada, quando estava uma mulher sozinha, indefesa, com os filhos. Há nove dias que o tio do presidente (do parlamento) está isolado, sem comunicação com o exterior, e sem lhe permitirem visitas nem estar próximo da família. É um ataque grosseiro do regime. Eles acham que desta maneira nos vão 'quebrar' (submeter), mas estão muito enganados. Se esta é a resposta do regime às sanções (internacionais), continuaremos de pé, respondendo a quem houver que responder, porque os cobardes que se escondem detrás das máscaras são eles", disse.

Juan José Márquez, 54 anos, é um piloto de aviação conhecido popularmente como "Cheché" e pai de cinco filhos e foi detido a 11 de fevereiro último, quando aterrou em Caracas num voo da TAP oriundo de Lisboa, acompanhado de Juan Guaidó, que regressava de um périplo internacional.

O Governo Venezuelano acusa Juan Márquez de transportar lanternas de bolso táticas que escondiam substâncias químicas explosivas no compartimento da bateria.

Na passada semana, o Governo venezuelano acusou a companhia aérea portuguesa TAP de ter violado "padrões internacionais", por alegadamente ter permitido o transporte de explosivos e por ter ocultado a identidade do líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, num voo para Caracas.

O governo venezuelano anunciou na segunda-feira a suspensão por 90 dias das operações no país da companhia aérea portuguesa TAP, "por razões de segurança", após acusações de transporte de explosivos num voo oriundo de Lisboa.

"Eles sabem quais são os mecanismos. O respeito é o primeiro. Esse é o primeiro mecanismo, de respeito. E, aqui há um presidente que se chama Nicolas Maduro. Não há outro presidente. Não há", declarou, na segunda-feira, o presidente da Assembleia Constituinte (AC, composta por apoiantes do regime), Diosdado Cabello, a propósito da proibição de a TAP voar para o país por 90 dias.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, considerou, na terça-feira, que a decisão das autoridades de Caracas era "inamistosa" e "injustificada".

No mesmo dia, o Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, repudiou a suspensão dos voos da TAP para a Venezuela, considerando-a injusta, inaceitável e incompreensível.

A companhia aérea portuguesa TAP reagiu à sanção imposta pelo executivo de Nicolas Maduro, referindo que "não compreende" a suspensão de voos que lhe foi aplicada, garantindo que esta é uma "medida gravosa", que prejudica os passageiros.

A crise política, económica e social venezuelana agravou-se desde janeiro de 2019, quando o presidente do parlamento, Juan Guaidó jurou assumir publicamente as funções de presidente interino do país.

Juan Guaidó conta com o apoio de mais de 50 países, entre eles Portugal, uma decisão tomada no âmbito da União Europeia.

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