Ministro da Justiça do Brasil diz que situação no Ceará está "sob controlo"

Sergio Moro esteve em Fortaleza, onde participou numa reunião para acompanhar o trabalho das Forças Armadas na região.

O ministro da Justiça e Segurança Pública brasileiro, Sergio Moro, disse esta segunda-feira que a situação do Ceará, estado do nordeste que registou 147 mortos desde a semana passada após motins e greves policiais, está "sob controlo".

"É uma situação que nós entendemos ser temporária e que deve ser resolvida brevemente. Existe um indicativo de aumento de alguns crimes mais violentos, mas não há uma situação de absoluta desordem nas ruas. (...) Não existem, por exemplo, assaltos a estabelecimentos comerciais. A situação está sob controlo, claro que dentro de um contexto relativamente difícil, em que parte da polícia estadual está paralisada", disse o ministro, citado pela imprensa local.

O ministro esteve esta segunda-feira em Fortaleza, capital do Ceará, onde participou numa reunião para acompanhar o trabalho das Forças Armadas na região, juntamente com o governador daquele estado, Camilo Santana, e os ministros da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e da Advocacia-Geral da União, André Luiz Mendonça.

"O Governo federal veio para serenar os ânimos, não para acirrar. Os polícias do país inteiro, não só do Ceará, são profissionais dedicados, que arriscam as suas vidas, são profissionais que devem ser valorizados. (...) Serenar os ânimos é importante, temos de colocar a cabeça no lugar e pensar o que é preciso para que os agentes possam voltar a realizar o trabalho", defendeu Sergio Moro.

O número de mortos entre quarta-feira e domingo no estado nordestino do Ceará, onde membros da Polícia Militar continuam amotinados e em greve, reivindicando aumentos salariais, aumentou para 147. De acordo com o mais recente relatório da Secretaria de Segurança Pública do Ceará, no domingo houve 25 "crimes violentos letais", aumentando para 147 o número de mortes nos últimos cinco dias, apesar da presença do Exército nas ruas, autorizada desde quinta-feira pelo Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

A paralisação da Polícia Militar, que no Brasil é responsável por fazer patrulhas, teve início na noite de terça-feira, mergulhando o Ceará numa crise de segurança que levou a um aumento dos homicídios. Bolsonaro autorizou, na última quinta-feira, a presença das Forças Armadas até dia 28, com o objetivo de conter a onda de violência naquele estado.

Desde então, soldados do Exército, membros da Força Nacional e agentes de outras instituições locais zelam pela segurança dos habitantes do Ceará, com uma população de cerca de nove milhões. A greve da Polícia Militar surge num momento em que o Brasil celebra o Carnaval, um dos maiores eventos do país, e resultou no cancelamento das festividades em pelo menos nove cidades do Ceará.

Os protestos no Ceará começaram na tarde de terça-feira, quando pessoas encapuzadas e mascaradas - alegadamente agentes policiais reivindicando aumentos salariais e melhores condições de trabalho - entraram em quartéis em diferentes cidades do estado e perfuraram os pneus de carros de patrulha.

No dia seguinte, a meio da crise de ordem pública, o senador Cid Gomes, irmão do ex-candidato presidencial Ciro Gomes, foi baleado no peito quando tentava entrar num quartel da polícia com uma retroescavadora na cidade de Sobral. O político teve alta hospitalar no domingo.

Polícias militares, que no Brasil têm estatuto militar, são constitucionalmente proibidos de fazer greve, numa decisão que foi ratificada em 2017 pelo Supremo Tribunal Federal, o mais alto tribunal do país.

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