Ministros da UE criticam Turquia por estatuto de mesquita para Hagia Sophia

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE apontam o dedo ao Governo de Erdogan. Em causa mudança do estatuto da Hagia Sophia, mas também prospeções no Mediterrâneo.

Ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia criticaram esta segunda-feira a Turquia pela mudança de estatuto da catedral Hagia Sophia (Santa Sofia), de museu para mesquita.

Na sua primeira reunião presencial em cinco meses, os chefes das diplomacias dos 27 têm hoje no topo da agenda a relação com a Turquia, embora não se preveja que adotem sanções, como pede por exemplo a Grécia.

"Quando vejo o que está a acontecer com Hagia Sophia, é um golpe", afirmou o ministro luxemburguês, Jean Asselborn.

A catedral de Hagia Sophia foi construída no século VI, à entrada do estreito de Bósforo, em Istambul, convertida em mesquita no século XV e transformada em museu em 1934 por decisão do fundador da Turquia secular, Mustafa Kemal Ataturk.

Na sexta-feira, o Conselho de Estado, o tribunal administrativo superior turco, anulou a decisão de 1934 e o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, anunciou momentos depois a abertura às orações muçulmanas do edifício, classificado como Património Mundial pela UNESCO e uma das principais atrações turísticas de Istambul.

Prospeções ilegais também preocupam a UE

Várias outras questões perturbam a relação da União com a Turquia, como a disputa com a Grécia e com Chipre, que acusam a Turquia de fazer prospeções de hidrocarbonetos nas suas águas territoriais, ou o envolvimento de Ancara na Líbia e na Síria.

A ministra dos Negócios Estrangeiros sueca, Ann Linde, considerou as movimentações no Mediterrâneo "razão para preocupação" para a UE, mas insistiu que os 27 devem também abordar a situação de direitos humanos e democracia na Turquia.

O Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, esteve na semana passada na Turquia, para abordar as perfurações no Mediterrâneo, mas a posição do chefe da diplomacia europeia, segundo fontes da Comissão, é neste momento a de obter dos ministros um mandato forte para o diálogo com a Turquia, e não a de avançar para mais sanções.

Além da Grécia, cujo ministro dos Negócios Estrangeiros, Nikos Dendias, pede uma lista de novas sanções a Ancara, França deverá assumir uma postura bastante crítica, à luz da tensão entre os dois países a propósito do conflito na Líbia, agravada por um incidente entre navios dos dois países no Mediterrâneo no princípio de junho.

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