Missão inclui sorrir. Há um português que é polícia voluntário no jubileu da rainha

Acordou às 3h30 e estava à frente do palácio de Buckingham desde as 6h30. O dia demorou bem mais de 12 horas. Depois de fotografias que até incluíram cães, cumpriu a missão: a de sorrir e fazer andar quem assistia ao desfile militar.

Pedro Dias Ferreira vive há 15 anos no Reino Unido e é, desde 2020, polícia voluntário. O conceito existe desde o século XIX e, ainda que estranho à partida para um português, encontra semelhanças no de um bombeiro voluntário.

"Fiz o treino como se fosse um polícia, mas decido quando quero fazer um turno", explica Pedro, que normalmente trabalha num banco. Mas esta quinta-feira foi especial: acompanhou o desfile Trooping the Colour, das comemorações do jubileu de platina da rainha Isabel II.

A missão era uma só, ainda que com duas partes: "obrigar as pessoas a andar com um sorriso" e tirar fotografias com os turistas.

Tudo começou cedíssimo. Acordou "nervoso" às 03h30 e às 06h30 já estava "na avenida em frente ao palácio [de Buckingham]", conta este português à TSF.

"Foi uma coisa única." Os ensaios estenderam-se ao longo dos últimos dois fins de semana e contaram com a presença do príncipe William. Porquê? "Porque é o coronel do regimento da Guarda Irlandesa, que é quem desfilou."

O "apogeu" chegou esta quinta-feira, inserido numa unidade de nove polícias. Primeiro objetivo: garantir que nada de anormal acontecia no desfile das tropas britânicas.

"Tínhamos responsabilidade sobre a última travessia da avenida antes de chegar ao palácio, talvez a mais movimentada de todas", conta Pedro Dias Ferreira e, "com um sorriso", o importante era "obrigar as pessoas a andar e garantir que ninguém fazia nada que não devesse fazer", incluindo invasões do desfile.

Embora longe da zona deste polícia português, as invasões acabaram por acontecer: a Polícia Metropolitana confirmou esta manhã a detenção de pelo menos três pessoas que saltaram as barreiras de proteção.

Mesmo sem ter de lidar com estas situações, o voluntário não esconde que estava nervoso, a isso obrigava a natureza do dia, e a farda não deixava que ninguém a esquecesse.

À farda azul e ao colete à prova de facadas, juntaram-se uma "gravata e a camisa" - tudo detalhes definidos anteriormente - e o famoso e "típico chapéu alto do polícia inglês", indumentária que valeu vários convites para tirar "para cima de cem fotografias".

"Pediam-me para tirar fotografias com os filhos, com o cão, com tudo", recorda. Mais de 12 horas depois de acordar, Pedro, polícia voluntário, deu a missão por cumprida: "Saímos às 16h00."

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