Mobilização parcial da Rússia "vai resultar numa enorme tragédia"

Navalny, principal opositor de Putin, afirma que a mobilização parcial anunciada pelo presidente russo vai resultar "numa enorme quantidade de mortes".

O principal opositor do Kremlin, Alexei Navalny, afirmou, esta quarta-feira, que a "mobilização militar parcial" anunciada por Vladimir Putin vai dar origem a uma tragédia.

"Isto resultará numa enorme tragédia, numa enorme quantidade de mortes. Com o objetivo de manter o seu poder pessoal, Putin entrou num país vizinho, matou pessoas e está agora a enviar uma enorme quantidade de cidadãos russos para esta guerra", disse Navalny em declarações registadas em vídeo, durante um dos seus processos judiciais, e citadas pela agência de notícias AFP.

Considerado o principal opositor de Putin, Alexei Navalny foi preso em janeiro de 2021 ao regressar de Berlim, onde passou vários meses em recuperação após sobreviver a um envenenamento, pelo qual responsabiliza o chefe de Estado russo.

Navalny foi transferido a meados de junho de 2022 para uma cadeia de alta segurança localizada a cerca de 250 quilómetros a leste de Moscovo e conhecida pelos maus-tratos infligidos aos prisioneiros.

O Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, anunciou uma "mobilização militar parcial" dos reservistas e outros cidadãos com experiência militar, a partir desta quarta-feira, para defender a soberania e a integridade territorial do país, e acusou o Ocidente de querer dividir e destruir a Rússia ao "reforçar o seu armamento" e ao utilizar os ucranianos como "carne para canhão".

O líder do Kremlin afirmou que o objetivo dos russos é libertar o Donbass: "Não temos o direito de deixar desprotegidas as populações de Lugansk e Donetsk, vítimas de ataques bárbaros dos nazis ucranianos."

Mais de seis meses depois do início da guerra na Ucrânia, Putin agradeceu aos cidadãos russos no Donbass, sublinhando que são "verdadeiros patriotas" e que o país está "unido pela grande Rússia".

O presidente lamentou os ataques junto à fronteira com a Rússia, adiantando que a Ucrãnia utiliza tecnologia da NATO e sublinhou que Moscovo tem "melhor tecnologia do que o Ocidente", avisando que "se houver necessidade" vai usar "todos os meios que tiver à disposição para afastar a ameaça que existe contra a Rússia e proteger o nosso povo". "Isto não é bluff", avisou.

Esta foi a primeira mensagem ao país de Putin desde o início da ofensiva na Ucrânia que, a 24 de fevereiro, anunciou como uma "operação militar especial".

As autoridades locais das regiões de Kherson, Zaporizhzhia, Donetsk e Lugansk, na Ucrânia, anunciaram esta terça-feira a realização, de 23 a 27 de setembro, de referendos para decidirem sobre a sua anexação pela Rússia.

Na terça-feira, Putin já tinha acusado a União Europeia de bloquear uma doação russa de 300 mil toneladas de fertilizante aos países que mais dele precisam, denunciando o que diz serem crescentes obstáculos colocados pelo Ocidente exportações russas.

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