"Momento histórico" contra "força bruta". Zelensky pede "sanções máximas" para a Rússia

Acusando a Rússia de ser um "país de criminosos de guerra", o Presidente ucraniano defendeu que se o país "tivesse recebido 100% das necessidades em fevereiro, o resultado teria sido dezenas de milhares de vidas salvas".

Volodymyr Zelensky afirmou, esta segunda-feira, que o mundo está a viver um "momento histórico" em que se vai decidir se a "força bruta vai dominar o mundo", pedindo "sanções máximas" para a Rússia.

"Estamos no momento histórico em que vamos determinar se a força bruta vai dominar o mundo", disse o líder ucraniano, num discurso por videoconferência no Fórum Económico Mundial, em Davos, acusando a Rússia de se ter tornado num "país de criminosos de guerra" que "inspira outros potenciais agressores".

Fazendo uma referência a 1938, mas sem citar o nome de Adolf Hitler, Zelensky reforçou que "a História lembra-se de quanto mal uma pessoa pode causar se não for devidamente combatida".

O Presidente ucraniano voltou a pedir "sanções máximas" para a Rússia, "para que qualquer outro agressor potencial que queira travar uma guerra brutal contra o seu vizinho saiba claramente as consequências imediatas das suas ações".

"Todos os bancos russos devem ser sancionados. Não deve haver qualquer comércio com a Rússia. Deve aproveitar-se para criar um novo precedente para a pressão que pode ser aplicada através de sanções", defendeu.

Zelensky disse aos líderes empresariais que podem continuar a operar na Ucrânia, "um mercado de 40 milhões de pessoas". "Convido-os a fazer parte do processo de reconstrução", pediu.

O chefe de Estado ucraniano avançou também que a Ucrânia precisa de um financiamento de pelo menos 5.000 milhões de dólares por mês, o equivalente a mais de 4.600 milhões de euros ao câmbio atual. Zelensky também pediu mais armas, lamentando que o apoio da comunidade internacional nem sempre tenha sido suficientemente rápido.

"Se tivéssemos recebido 100% das nossas necessidades em fevereiro, o resultado teria sido dezenas de milhares de vidas salvas", justificou.

"É por isso que a Ucrânia precisa de todas as armas que estamos a pedir, e não apenas daquelas que foram entregues. É por isso que a Ucrânia precisa de financiamento", insistiu.

"Não é fácil, mas depois disso não haverá motivação dos agressores para fazerem o que a Rússia fez", acrescentou, agradecendo também "todo o apoio, unidade e pressão" por parte de "centenas de milhões de pessoas" que se têm manifestado e que querem ver os responsáveis políticos ocidentais "a limitar ou eliminar todas as relações com o agressor russo".

Relembrando que a Rússia começou a guerra com a Ucrânia em 2014, Zelensky questionou: "Na altura, se tivéssemos demonstrado esta união será que a Rússia iria lançar esta guerra total? Será que iria impor estas perdas à Ucrânia e ao mundo? Tenho a certeza de que a resposta é não."

Após 89 dias de guerra, o chefe de Estado ucraniano considerou que a Ucrânia "tem empurrado o agressor para fora" das suas fronteiras, criando "um novo padrão de coragem", não tendo "dado ouvidos a quem disse que não seria possível aguentar mais do que alguns dias".

Sobre o futuro da Ucrânia, Zelensky alertou que será "complexo". "Para mim, todas as manhãs começam com os números das pessoas que foram mortas", adiantou.

Contudo, o chefe de Estado ucraniano acredita que a Ucrânia sairá desta guerra "vitoriosa" e "ainda mais unida".

O discurso do Presidente da Ucrânia abriu a 51.ª edição do Fórum Económico Mundial, que decorre até quinta-feira, na estância dos Alpes suíços.

O encontro foi retomado após ter estado interrompido durante dois anos, devido à pandemia de Covid-19.

Os organizadores consideraram tratar-se da edição "mais oportuna desde a criação" do fórum, por todos os problemas que o mundo enfrenta, incluindo a guerra na Ucrânia e as suas consequências para a economia mundial.

"Esta guerra é realmente um ponto de viragem na História e irá remodelar a nossa paisagem política e económica nos próximos anos", disse o fundador do fórum, Klaus Schwab.

São esperados mais de 2.500 participantes, incluindo cerca de 50 chefes de Estado e de governo, mais de 30 ministros dos Negócios Estrangeiros e mais de 50 ministros da Economia.

Além do discurso de Zelensky, a Ucrânia enviou uma delegação oficial a Davos liderada pelo chefe da diplomacia, Dmytro Kuleba, aproveitando a grande concentração de figuras políticas e empresariais para defender as posições de Kiev e lançar a discussão sobre a reconstrução do país.

Para esta edição não foi convidado qualquer representante do Governo ou de empresas russas.

Além da guerra na Ucrânia, os participantes deverão discutir questões como a subida dos preços dos alimentos e dos combustíveis, as alterações climáticas, a desigualdade e as crises sanitárias e as suas consequências.

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