Morreu o antigo líder chinês Jiang Zemin

Tinha 96 anos e liderou a China após os protestos pró-democracia de Tiananmen, em 1989, até ao início da década de 2000.

Morreu, esta quarta-feira, aos 96 anos, Jiang Zemin, antigo líder da China, avançou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua.

Jiang liderou a China após os protestos pró-democracia de Tiananmen, em 1989, até ao início da década de 2000.

Ascendeu ao poder um dia depois de tanques do exército terem posto fim ao movimento da Praça Tiananmen, na noite de 03 para 04 de junho de 1989, e acompanhou a transformação do país mais populoso do mundo numa potência mundial.

O ex-chefe de Estado morreu de leucemia e da falência múltipla de órgãos em Xangai, a capital económica da China, onde serviu como líder local do Partido Comunista (PCC), na segunda metade da década de 80.

De acordo com um comunicado do Comité Funerário de Jiang Zemin, citado pela agência de notícias chinesa, "governos estrangeiros, partidos políticos e pessoas amigas não são convidados a enviar delegações ou representantes à China para participar de atividades de luto".

Em 2002, sucedeu-lhe Hu Jintao e, depois, foi rendido pelo atual presidente Xi Jinping. Na prática, Jiang desenvolveu o modelo um país e dois sistemas, abrindo o mercado económico chinês.

Uma das primeiras expressões de homenagem na China é a página da agência de notícias Xinhua, que está a preto e branco.

Considerado uma escolha surpreendente para liderar o Partido, dividido após a turbulência de 1989, Jiang viu a China passar por várias transformações históricas, incluindo a retoma de reformas económicas orientadas para o mercado, o retorno da soberania de Hong Kong e Macau pelo Reino Unido e Portugal, respetivamente, e a entrada de Pequim na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001.

Mesmo durante um período em que a China se abriu ao exterior, a administração de Jiang reprimiu dissidentes e ativistas que defenderam os direitos humanos e laborais e reformas pró-democracia, e baniu o movimento espiritual Falun Gong, que o PCC viu como uma ameaça ao seu monopólio de poder.

Abdicou do seu último título oficial em 2004, mas continuou a exercer influência nos bastidores durante as disputas entre diferentes fações do PCC que antecederam à ascensão ao poder do atual líder chinês, Xi Jinping, em 2012.

Rumores de que Jiang poderia estar com problemas de saúde surgiram depois da sua ausência no 20.º Congresso do PCC, que se realizou em outubro passado, e que cimentou o estatuto de Xi como o líder mais forte da China desde pelo menos a década de 1980.

Jiang estava prestes a aposentar-se como secretário do Partido em Xangai, em 1989, quando foi convocado pelo então líder supremo Deng Xiaoping. Ele sucedeu a Zhao Ziyang, que foi demitido por Deng, devido à sua aproximação aos manifestantes do movimento da Praça de Tiananmen. Zhao foi mantido em prisão domiciliária até à sua morte, em 2005.

Durante os 13 anos em que serviu como secretário-geral do PCC, Jiang guiou a ascensão económica da China, ao acolher empresários do setor privado no Partido e incentivar o investimento estrangeiro, depois de a China integrar a OMC. A China ultrapassou a Alemanha e, depois, o Japão, tornando-se na segunda maior economia do mundo a seguir aos Estados Unidos.

Jiang obteve ainda uma vitória política quando Pequim foi escolhida como sede dos Jogos Olímpicos de Verão de 2008, depois de fracassar numa candidatura anterior.

Ex-gestor numa fábrica de sabões, Jiang encerrou a sua carreira com a primeira sucessão ordenada na História do regime comunista, ao transferir o seu cargo, em 2002, para Hu Jintao, que também assumiu o título cerimonial de chefe de Estado, no ano seguinte.

* Notícias atualizada às 10h33

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