Movimento negacionista reúne cerca de 10 mil pessoas em Viena

Áustria está num terceiro confinamento desde o final de dezembro.

Cerca de 10 mil pessoas, segundo as estimativas das forças policiais, manifestaram-se hoje em Viena, Áustria, para contestar as medidas preventivas e sanitárias aplicadas pelo Governo austríaco para combater a propagação do novo coronavírus.

"Demissão do Governo" ou "A imprensa é uma mentirosa" foram algumas das frases de ordem entoadas pelos manifestantes que desfilaram nas ruas da capital austríaca para protestar contra as medidas restritivas impostas, desde março passado, pelo Governo liderado pelo chanceler Sebastian Kurz para tentar travar os contágios pelo novo coronavírus.

No final de dezembro, o Governo austríaco decretou um terceiro confinamento da população, tendo decidido encerrar novamente as lojas não essenciais, espaços culturais e desportivos, escolas e universidades.

"Os números sobre os mortos são uma tolice. Não quero acabar como na China, onde não estás autorizado a fazer nada", afirmou, em declarações à agência France-Presse (AFP), uma manifestante posicionada junto de uma faixa com a frase inscrita "Vocês são a doença, nós somos a cura".

"Somos adultos! Há um ano que saio sempre e ainda não o apanhei, o coronavírus. Não vou ser vacinada", acrescentou a manifestante, identificada como Gabi.

Segundo o relato da AFP, a maioria dos manifestantes não usava máscara de proteção individual ou respeitava a distância de segurança regulamentada pelas autoridades austríacas.

As forças policiais presentes no local fizeram várias advertências verbais.

Uma das presenças notadas na manifestação, na qual eram visíveis muitas bandeiras nacionais austríacas, foi a do antigo vice-chanceler Heinz-Christian Strache, elemento da extrema-direita austríaca.

Também hoje foi realizada em Viena uma contramanifestação de ativistas de extrema-esquerda que reuniu cerca de 500 pessoas, segundo a polícia, ação que pretendeu mostrar indignação perante "a loucura do movimento antimáscara".

A Áustria, país com 8,9 milhões de habitantes, registou até à data 7.053 mortes associadas à doença covid-19.

Um grupo de especialistas recomendou Sebastian Kurz a não levantar as restrições no próximo dia 25 de janeiro, como foi estabelecido inicialmente, uma vez que os novos contágios não estão a diminuir e a nova estirpe do novo coronavírus (SARS-Cov-2) identificada no Reino Unido está a levantar mais preocupações.

Este conselho científico recomendou que o teletrabalho passe a ser obrigatório, defendendo ainda um prolongamento do confinamento.

O Governo austríaco deve anunciar no domingo novas medidas.

A pandemia da doença covid-19 já provocou pelo menos 2.009.991 mortos resultantes de mais de 93,8 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus (SARS-Cov-2) detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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