Mulher confessa-se culpada após fingir o próprio rapto na Califórnia

Sherri Papini esteve desaparecida durante três semanas e fingiu que foi raptada. Agora, terá de pagar todos os encargos das buscas e de ajudas para benefício próprio.

A norte-americana Sherri Papini confessou esta segunda-feira que fingiu o próprio rapto em 2016, obrigando a três semanas de buscas das autoridades dos Estados Unidos. Durante o julgamento também disse que mentiu ao FBI.

A mulher de 39 anos da cidade californiana de Redding não deu nenhuma explicação sobre o plano do rapto ou para o facto de ter dito que duas "mulheres hispânicas" a sequestraram à mão armada e a acorrentaram a um poste durante três semanas, enquanto a privaram de comida e a espancavam, conta o jornal The Guardian.

Há alguns anos que as questões sobre a natureza do desaparecimento de Papini estavam envolvidas no ceticismo do relato. Depois, a norte-americana concordou em assumir que mentiu, num acordo alcançado com os procuradores durante a semana passada, mais de um mês depois de o FBI ter anunciado que foi ela a encenar o rapto.

Sherri Papini tinha, afinal, passado os 22 dias nos quais esteve desaparecida na casa de um ex-namorado, no sul da Califórnia, a quase 1000 quilómetros de casa. Os investigadores concluíram que infligiu os ferimentos a si própria ou pediu ao seu ex-namorado que o fizesse por ela.

Papini tinha várias lesões autoinfligidas, incluindo um nariz inchado e uma "marca" no ombro direito. Tinha outros hematomas e erupções cutâneas noutras partes do corpo, como marcas de amarras nos pulsos, tornozelos e queimaduras no antebraço esquerdo. Quando foi encontrada, o seu cabelo, que era comprido, estava curto.

Os procuradores do estado da Califórnia concordaram em recomendar uma pena de prisão mais baixa, entre oito e 14 meses. O julgamento final da americana está marcado para o próximo dia 11 de julho.

Sherri Papini concordou em pagar mais de 300 mil dólares (cerca de 277 mil euros), o que incluirá o custo das buscas, que abrangeu vários estados, e a investigação sobre as mulheres que alegadamente a tinham raptado. O caso recebeu uma ampla cobertura mediática, levando alguns voluntários a dedicar muito tempo às buscas e a doar milhares de dólares para apoiar a família da suposta desaparecida.

A americana ainda admitiu que continuou a mentir sobre o incidente durante anos, afirmando falsamente que tinha sido raptada até em agosto de 2020. Depois de regressar a casa, em 2016, visitou a família de Tera Smith, uma adolescente que desapareceu em 1998, após ter corrido pelo mesmo trilho onde Papini disse ter sido raptada.

Papini não apresentou qualquer justificação para o porquê de ter encenado o crime. Várias pessoas que a conheciam disseram ao FBI que a mulher tinha um historial de mentiras, incluindo alegar que tinha sido vítima de abuso sexual por parte da própria família, apenas para chamar a atenção, de acordo com uma queixa anterior. O seu advogado, William Portanova, sugeriu que a sua clienteb tem "uma situação de saúde mental muito complicada", e disse acreditar que a própria nem sabe que mentiu.

Os procuradores dizem que Papini planeou o falso rapto durante mais de um ano sem que o seu marido soubesse.

"É um erro assumir que a doença mental é a causa de um comportamento invulgar como este", disse Ian Lamoureux, um psiquiatra forense. Além disso, o planeamento do crime parece tornar doenças como a esquizofrenia, bipolaridade ou a depressão uma explicação improvável.

Sherri Papini também beneficiou financeiramente com a encenação do crime. O tribunal ordenou-lhe que reembolsasse quase 128 mil dólares (cerca de 118 mil euros) por pagamentos por alegada incapacidade. Além disso, também foi criada uma campanha GoFundMe para a família Papini, que angariou mais de 49 mil dólares (o equivalente a 45 mil euros).

Na segunda-feira, a americana disse que tem recebido cuidados psiquiátricos para ansiedade, depressão e transtorno de stress pós-traumático desde o seu regresso em 2016. Com isso, recebeu mais 30 mil dólares (27 mil euros) em tratamentos, provenientes de um fundo estatal de indemnização de vítimas, que deve agora reembolsar.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de