Museu do Prado: 200 anos de história e arte

O museu mais importante de Madrid, que alberga obras de artistas como El Greco, Goya, Velázquez, o Tiziano, festeja o seu bicentenário.

Falar do Museu do Prado é falar de Diego Velázquez e das suas "Meninas", talvez o quadro mais famoso da galeria, o que recebe mais visitas e o que tende a ofuscar os demais. "Não é porque seja o quadro que as pessoas mais gostam, simplesmente é o mais conhecido", considera a historiadora de arte Sol Garcia. "Mas quem vem ao Prado tem muitas outras opções, tão ou mais bonitas. Até porque As meninas costumam ter tanta gente à volta que é quase impossível desfrutá-lo bem", avisa.

No bicentenário do Museu, a TSF desafiou a historiadora de arte a criar um percurso pelo Prado, fora dos circuitos e obras mais convencionais. Um caminho que permita descobrir joias menos conhecidas do Prado e que reclamam mais protagonismo nestes 200 anos de existência do Museu mais importante de Madrid.

Começa com "A Deposição da Cruz", de Van der Weyden. O quadro, de mais de dois metros e em forma de cruz, mostra a retirada de Cristo da Cruz, perante o olhar de João, Maria Madalena e a Virgem Maria. "Podes reparar em mil coisas, desde as lágrimas da virgem, até ao cuidado com que estão pintados os panos, a cor azul do vestido da virgem, a mão praticamente morta da virgem que se junta com a mão de Cristo... é incrível."

Restaurado há pouco tempo, as cores vivas do quadro saltam à vista: "Chama a atenção sobretudo o azul. Naquele tempo fazia-se com lápis-lazúli e por isso é um azul tão vivo que parece que não te deixa olhar para mais nada", conta.

Obsessão pelos detalhes

Duas salas mais à frente está "O Jardim das Delicias Terrenas" de Bosch, um dos mais impressionantes do museu. Diante do quadro é impossível não se deixar levar por cada uma das cenas, pintadas ao detalhe, que compõem o quadro dividido em três peças. "A tábua da esquerda representa o momento da criação, a tábua central, que representa as paixões e todos os vícios que possas pensar e a tábua da direita que representa os tormentos do inferno", explica a historiadora.

Este foi o último quadro que Felipe II de Espanha viu no seu leito de morte. "Não deixa de ser curioso que ele, que era muito religioso, que instaurou a inquisição, tivesse um quadro destes no seu quarto", explica.

Debruçar-se sobre a tela é descobrir mil histórias representadas em ponto pequeno com significado mais ou menos sarcástico. "Tens um porco vestido de freira, aqui há uma lagoa com uma espécie de animal anfíbio que esta a ler... Acho que o Bosch é dos artistas mais divertidos para ver no Prado porque entendas ou não de arte, tu olhas para o quadro e podes passar horas e horas a ver os detalhes".

É o mesmo tipo de obsessão com o detalhe que tem Pieter Bruegel, em "O triunfo da morte". Mais pequeno que os outros dois mas nem por isso menos impressionante. Cheio de cenas macabras, é difícil desviar os olhos, mesmo que o que se vê não seja agradável. Um céu negro e um mar de cadáveres onde a morte avança com um exército de esqueletos. "Sempre me impressionou a forma como representa a morte, que é um esqueleto com uma gadanha, em cima de um cavalo famélico no qual se vêm todas as costelas", diz Garcia.

Visita obrigatória para Sol Garcia são os quadros de Tiziano. "Há vários que para mim são imprescindíveis. O retrato de Carlos V, fora dos retratos convencionais da Corte, com o imperador montado a cavalo, que transmite perfeitamente o seu poder. Ou ainda o autorretrato, onde se pode observar cada ruga, cada fio da barba do pintor... é impressionante".

Para o fim a historiadora deixou a exposição que o Museu do Prado inaugura esta terça-feira e que culmina os festejos do bicentenário. "Só me sobra a vontade" expõe mais de 100 desenhos de Francisco Goya, na última fase do pintor. O último, um idoso, de cabelo comprido e longas barbas brancas apoiado em duas bengalas, é um autorretrato e tem o título de "Ainda aprendo". "Quando tem 80 anos diz a um amigo que já lhe faltam as forças, não vê, já não tem precisão na mão mas ainda tem vontade. É um desenho que me parece muito interessante porque simboliza bastante tudo o que podes fazer no Museu do Prado que é aprender. Não interessa o número de vezes que se vem ao Prado, há sempre uma coisa nova, alguma coisa que não se viu". A exposição permanece até 16 de fevereiro do ano que vem.

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