Na China a vida ainda está longe de voltar ao normal

Como é a vida na China mais de dois meses depois do início do surto?

Mais de dois meses depois do início do surto de Covid-19 na China, o país ainda está longe de voltar ao normal e as medidas de distanciamento social, que começam a fazer parte do dia a dia de Portugal, não têm data para acabar.

Mary Peng é fundadora e gestora de um centro de serviços veterinários em Pequim e explica à TSF que "não, não estamos numa situação normal", apesar das notícias que vão chegando à Europa de quase zero ou mesmo zero novos infetados na China.

"Julgo que nenhuma cidade da China pode dizer que voltou ao normal. A maioria das zonas de apartamentos continua a ter alguma forma de controlo rígido dos movimentos. A maioria das empresas e fábricas ainda não voltou ao trabalho. Dá para ver isso no tráfego nas estradas nas horas de ponta. É sempre domingo de manhã... Não há muitos carros na rua e isso revela que ainda não voltámos ao normal", detalha esta dona de um centro veterinário em Pequim que nasceu nos EUA.

O presidente da Associação dos Médicos de Língua Portuguesa de Macau, José Manuel Esteves, acrescenta que aos poucos as coisas vão voltando ao normal, mas sim, a China continua "sem funcionar nos moldes em que funcionava antes da epidemia".

"Não quero ser pessimista, mas estou convencido que se o vírus se mantiver na sociedade nos vários países e se tornar uma presença habitual como o vírus da gripe, vamos ter de nos ajustar à sua presença daqui para o futuro e muitas das coisas não poderão ser como eram antes", vaticina.

Mary Peng não prevê o futuro e refere, sobretudo, que até agora esta vida com tantas restrições não tem "data para acabar": "O governo não deu uma data. As medidas de controlo e mitigação continuam e são avaliadas dia-a-dia. É preciso ter muito cuidado".

Um exemplo: continuam a não existir transportes como antes e os táxis em Pequim mantêm-se parados, havendo "enormes restrições à mobilidade".

Todos os que chegam à China ficam 14 dias de quarentena pois agora o maior receio do Estado são os casos importados de outros países.

A 'velocidade de cruzeiro' da economia e fábricas chinesas também está distante "da sua capacidade normal".

Mary Peng detalha que "em Pequim há muitos trabalhadores que foram a casa no ano novo chinês, estão fora da cidade e não podem voltar ou se voltam têm de ficar de quarentena 14 dias ou preferem esperar mais tempo para ver se o vírus está mesmo controlado".

Na área dos restaurantes os empresários continuam a "sofrer muito" - "Não podem trabalhar e as pessoas têm muito medo de estar em sítios com muita gente. A maioria compra as coisas online e prefere mandar entregar tudo em casa. Há um cuidado extremo e evita-se ao máximo ir à rua", conclui a médica veterinária.

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