Não é o desporto rei, mas com "Gambito de Dama" fez xeque-mate. Xadrez cresceu em Portugal

Os reis jogavam nas cortes. Mais tarde, a Revolução dos Cravos acelerou a adesão a um desporto de foro intelectual. Agora, é a série "Gambito de Dama" que tem levado muitos a render-se ao xadrez, e em Portugal o fenómeno também é visível.

"Gambito de dama" é o nome dado a uma jogada de abertura de uma partida de xadrez, que consiste num aparente sacrifício de um peão branco, mas que pretende fragilizar a defesa das peças pretas. Há relatos de esta abertura ser usada há mais de 500 anos. Mas este ano tudo mudou.

O "Gambito de Dama" deu nome uma série de televisão da Netflix, que está a ter um efeito significativo na prática da modalidade. Dominic Cross, presidente da Federação Portuguesa de Xadrez, admite que o fenómeno também já se começa a notar em Portugal.

"O número de membros da federação, de jogadores e clubes tem estado a crescer 10 a 15% ao ano." Com a pandemia, conta Dominic Cross, "muita gente se voltou para o xadrez online", e, chegados a outubro, foi notório "um novo crescimento de pessoas que querem ter aulas online".

As vendas de tabuleiros de xadrez na loja da federação também escalaram, mas a história da modalidade que mobiliza a atividade cerebral prova que, apesar de não ser o desporto rei, há muito que o xadrez deixou de ser apenas um peão.

Começou a ser jogado nas cortes, e os reis portugueses também o jogavam. Depois, com a implantação da República, "o xadrez passou para algumas sociedades e grémios", para algumas elites

A série "Gambito de Dama" passa-se nos Estados Unidos, em plenos anos 1960, e tem como protagonista Beth, uma brilhante jogadora de xadrez. Dominic Cross lembra que o desporto foi, durante muito tempo, praticado apenas por homens. Em Portugal, isso mudou depois da Revolução dos Cravos. "A partir do 25 de Abril, o xadrez tornou-se muito popular e foi um desporto amplamente divulgado. A partir daí, as mulheres começaram a jogar muito mais", salienta o representante da federação portuguesa da modalidade.

Dominic Cross sublinha, por isso, que o crescimento do fenómeno entre mulheres é mais notável, sobretudo nas camadas mais jovens.

A sétima arte tem dado muito destaque ao xadrez como um desporto intelectual. O presidente da Federação Portuguesa de Xadrez garante que este é um desporto para ser jogado dos oito aos 80, mas reconhece que o xadrez estimula o desenvolvimento dos jovens.

"O xadrez é mesmo para todos, não há aquele estigma do sobredotado, ou alguma coisa assim. Isso não é sinónimo."

Mas não há como negar, afiança Dominic Cross: o público infantojuvenil, ao aderir cada vez mais cedo, tira vantagens no âmbito escolar, ao utilizar esta aprendizagem como "ferramenta pedagógica".

"Vemos muitas vezes que os miúdos que jogam xadrez depois ganham as olimpíadas de matemática e entram nas melhores universidades", remata o presidente da Federação Portuguesa de Xadrez.

* e Catarina Maldonado Vasconcelos

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