"Não existiu consenso possível" com a Turquia sobre terrorismo

A Turquia desencadeou, em outubro, uma ofensiva na Síria que tem sido contestada por diversos líderes mundiais.

O Presidente francês Emmanuel Macron considerou esta quarta-feira que "não existiu consenso possível" com a Turquia sobre a definição de terrorismo, durante uma conferência de imprensa após o final da cimeira da NATO em Watford, arredores de Londres.

"Não vejo a possibilidade de um consenso", disse, quando a Turquia desencadeou em outubro uma ofensiva no norte da Síria contra milícias curdas estabelecidas na zona fronteiriça. Ancara define as forças atacantes como "terroristas".

As milícias curdas Unidades de Proteção do Povo (YPG) apoiaram a coligação internacional liderada pelos EUA no combate contra o grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI) e outras organizações similares.

"É claro que não estamos de acordo para considerar como grupo terrorista as YPG e o PYD [Partido da união democrática, a principal formação política dos curdos sírios] e julgo que nesse aspeto existe um consenso", disse numa referência aos restantes Estados-membros da NATO, à exceção da Turquia.

"Combatemos o PKK [Partido dos Trabalhadores do Curdistão] e todos os que praticam atividades terroristas contra a Turquia, de forma clara, mas não fazemos esta agregação desejada pela Turquia entre os diversos grupos políticos e militares, e assim existe um desacordo, que não foi ultrapassado", sublinhou.

O PKK, uma organização separatista curda em luta armada desde 1984 contra o poder central turco, é definida como organização terrorista pela Turquia e diversos países, incluindo França e Estados Unidos.

As relações entre Paris e Ancara permanecem tensas após o início da mais recente ofensiva militar turca no norte sírio contra a milícia curda YPG, uma aliada decisiva no combate ao EI.

A Turquia tem criticado o apoio da França às Forças democráticas sírias (FDS) e que incluem as YPG, consideradas por Ancara uma extensão do PKK.

Na tarde de terça-feira, um encontro entre Emmanuel Macron, a chanceler alemã Angela Merkel, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson e o Presidente turco Recep Tayyip Erdogan, no âmbito da reunião da NATO, não permitiu ultrapassar "todas as ambiguidades", segundo o Presidente francês.

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