Nas escolas brasileiras, um ovo tem de chegar para quatro

Relatos de racionamento nos estabelecimentos públicos sucedem-se após cinco anos sem ajuste da verba para a merenda. No total, 33 milhões de brasileiros passam fome e mais de 65 milhões sofrem com insegurança alimentar.

Um ovo dividido por quatro estudantes na Escola Municipal de Educação Infantil Ipiranga, em Belo Horizonte, e carimbos na mão das crianças para as impedir de tentar repetir o almoço, numa escola do Distrito Federal, ali perto do Palácio do Planalto, são, cada vez mais, o cenário à hora das refeições nas escolas públicas do Brasil.

Como o valor destinado às merendas escolares não cresce desde o início do governo Bolsonaro - que já vetou, aliás, um eventual aumento no orçamento de 2023 - o racionamento, como nos cenários de guerra, e a fome passaram a fazer parte do dia a dia dos estudantes brasileiros, conta o jornal Estadão.

No total, há, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 33 milhões de brasileiros a passar fome em 2022, mais 20 milhões do que em 2020.

Além disso, 65 milhões sofrem insegurança alimentar: isto é, não têm a certeza, quando acordam, de que vão comer três refeições diárias.

Em 2014, registe-se, o Brasil festejou a saída do Mapa da Fome da ONU.

Em paralelo, o Brasil continua no topo dos países com inflação mais alta entre as maiores economias mundiais e se é verdade que a taxa de desemprego caiu recentemente para um dígito, 9,3%, mais de 40% dos trabalhadores no país estão na informalidade.

Segundo país mais desigual do G20, à frente apenas da África do Sul, no Brasil, 1% da população detém 40% do rendimento nacional e se aumentarmos a medida para 10% da população, essa faixa detém mais de 65% do rendimento nacional.

Por estas razões, se a corrupção sistémica foi o mote da campanha eleitoral de 2018, que elegeu Jair Bolsonaro, um deputado supostamente fora do sistema, a de 2022 é centrada na economia, nomeadamente, na fome que, entre muitos outros, as crianças das escolas públicas passam todos os dias.

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