NATO avisa Rússia que está "preparada para o pior" se diplomacia falhar

Secretário-geral da Aliança Atlântica confirma que os aliados estão "a aumentar a prontidão e a preparar as forças".

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) avisou esta quarta-feira a Rússia que "está preparada" para o pior caso a via diplomática falhe relativamente à escalada russa face à Ucrânia, garantindo estar já a "aumentar a preparação".

"Estamos agora de novo a dirigir-nos à Rússia para tentar prosseguir um caminho de diálogo e encontrar uma solução política e essa é a razão pela qual enviámos esta noite propostas escritas de 30 aliados da NATO abrangendo uma vasta gama de questões diferentes, mas é claro que, enquanto trabalhamos para uma boa solução, a escalada de tensão também nos faz preparar para o pior", declarou o secretário-geral da Aliança Transatlântica, Jens Stoltenberg.

Falando em conferência de imprensa em Bruxelas, Jens Stoltenberg especificou que os Aliados "não estão iludidos" e, "em paralelo com os esforços na via do diálogo", estão também "a aumentar a prontidão e a preparar as forças", incluindo na região do Mar Báltico e no Mar Negro, onde a Rússia iniciou hoje manobras militares.

"Ao mesmo tempo, estamos empenhados (...) para nos envolvermos com a Rússia num esforço político e num diálogo político, mas estamos também a intensificar, quando se trata de prontidão, todas as forças e enviamos uma mensagem clara à Rússia de que, se usarem a força contra a Ucrânia ou outro país, isso terá consequências graves", avisou o responsável, evocando possíveis sanções.

Questionado sobre uma eventual entrada da Ucrânia na Aliança Transatlântica, Jens Stoltenberg vincou que "a NATO e todos os seus aliados, incluindo os Estados Unidos, mantêm-se fiéis à política de portas abertas" da organização, salientando a necessidade de respeitar "o direito de qualquer nação a candidatar-se à adesão".

A Rússia iniciou hoje manobras militares no Mar Negro, com a participação de mais de 20 navios, informou o Ministério da Defesa russo, num contexto de tensão nas fronteiras da Ucrânia.

Um grupo naval, incluindo navios de guerra e navios de apoio, deixou as bases de Sevastopol e de Novorssísk para chegar às áreas designadas, de acordo com um comunicado militar, que menciona ainda a presença nas manobras de fragatas, barcos de patrulha, navios antissubmarinos, navios equipados com mísseis de vários tipos, navios de desembarque e caça-minas.

As unidades vão desempenhar uma série de exercícios e treinos sobre organização de comunicações, manobras seguras em áreas de navegação intensiva e organização de defesa antiaérea no mar, segundo o comunicado do Ministério da Defesa russo.

A Rússia - que realiza vários exercícios militares enquanto concentra mais de 100.000 soldados na fronteira com a Ucrânia - garante que as manobras fazem parte do Plano de Treino das Forças Armadas da Federação Russa para 2022.

Os exercícios vão realizar-se em águas dos mares adjacentes ao território russo, bem como em águas internacionais, consideradas relevantes para as operações militares.

Exercícios distintos e separados serão realizados nas águas dos mares Mediterrâneo, Norte, Okhotsk, na parte nordeste do Oceano Atlântico e no Oceano Pacífico.

No total, Moscovo conta com a presença de mais de 140 navios de guerra e embarcações de apoio, mais de 60 aeronaves, 1.000 unidades de equipamento militar e cerca de 10.000 soldados.

A Ucrânia e a NATO têm denunciado, nos últimos meses, a concentração de um grande número de tropas russas perto da fronteira ucraniana, considerando tratar-se da preparação de uma invasão.

Os ocidentais receiam uma invasão russa do território do país vizinho, como a de 2014 que culminou na anexação da península ucraniana da Crimeia.

O Kremlin (Presidência russa) rejeita ter uma intenção bélica nestas manobras.

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