Negociador britânico do Brexit David Frost demite-se do governo

Demissão ainda não foi confirmada oficialmente.

O secretário de Estado para as relações europeias, David Frost, que liderou as negociações do Brexit sob o primeiro-ministro Boris Johnson, demitiu-se do Governo britânico, noticiou este sábado o jornal Mail on Sunday.

O jornal, citando uma fonte governamental de alto nível, revelou que Frost deixaria o cargo em janeiro devido à sua "desilusão" com a "direção" da política governamental, nomeadamente as novas restrições impostas para conter a pandemia de Covid-19.

A demissão, que terá sido formalizada por Frost na semana passada, ainda não foi confirmada oficialmente. O jornal refere que Frost deseja sair amigavelmente e que foi persuadido a permanecer no cargo até janeiro próximo.

Frost é considerado uma figura-chave nas negociações com a União Europeia, mas decidiu afastar-se do Executivo por discordar com o chamado "Plano B", que determinou a introdução de passes sanitários para entrada em discotecas e grandes eventos, a obrigatoriedade de vacinas para profissionais de saúde e o uso de máscaras em espaços públicos fechados.

Frost também terá manifestado insatisfação com os recentes aumentos de impostos, que contrariam a ideologia dos Conservadores britânicos, tradicionalmente a favor de impostos baixos.

Nos últimos meses, Frost tem mantido intensas negociações com o vice-presidente da Comissão Europeia para Relações Interinstitucionais, Maros Sefcovic, para superar divergências sobre a implementação do chamado Protocolo para a Irlanda do Norte.

Na sexta-feira, considerou "positiva" uma proposta legislativa europeia para facilitar a circulação de medicamentos no território britânico, mas mantém-se o impasse nas outras áreas em negociação, nomeadamente controlos sanitários e fitossanitários, documentação, o papel de supervisão do Tribunal Europeu de Justiça e as ajudas estatais a empresas da Irlanda do Norte.

"Não creio que as negociações estejam perto de produzir resultados que possam realmente resolver os problemas apresentados pelo Protocolo", afirmou.

A "número dois" do Partido Trabalhista, a principal força da oposição, Angela Rayner, escreveu hoje na rede social Twitter que esta notícia mostra que o Governo de Boris Johnson está num "caos total".

"Os ratos estão a fugir do navio de Johnson que está a afundar, enquanto ele cambaleia de crise em crise. Até mesmo os apoiantes leais do primeiro-ministro o estão a abandonar", comentou a deputada do Partido Liberal Democrata, Layla Moran.

A demissão de Frost vem culminar várias semanas de escândalos, nomeadamente de alegadas festas de Natal no ano passado, quando as regras proibiam encontros sociais, e do financiamento impróprio das obras de remodelação da residência oficial do primeiro-ministro.

O descontentamento interno no partido ficou exposto quando 100 deputados votaram no Parlamento contra a introdução na Inglaterra dos passes sanitários para tentar travar a Covid-19.

Na quinta-feira, os Conservadores perderam uma eleição parlamentar em North Shropshire, no oeste da Inglaterra, conquistada pelos liberais democratas, levando vários deputados 'tories' a ameaçar com uma moção de censura interna para derrubar Johnson.

David Frost foi nomeado em julho de 2019 para negociador da Saída do Reino Unido da União Europeia e depois continuou a chefiar as negociações para a relação pós-Brexit, que resultaram num acordo de comércio livre que entrou em vigor a 01 de janeiro.

Frost era presidente-executivo da Associação de Produtores de Whisky antes de ser convidado para assessor de Boris Johnson quando este era ministro dos Negócios Estrangeiros. Como não é um político eleito, foi nomeado para Câmara dos Lordes, o que permitiu a entrada para o Executivo.

Nas suas funções, além de presidir aos órgãos conjuntos de fiscalização dos termos dos acordos alcançados, coordena também as relações do Governo britânico com as instituições de Bruxelas e dos 27 Estados-membros do bloco.

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