"Nenhum governo é capaz de usar a Huawei para espionagem"

O vice-presidente da Huawei considera que "não é correto" que o nome da empresa seja envolvido "na disputa comercial".

Entrevistado em Bruxelas, pela TSF, o responsável pela pasta da Segurança e Privacidade Cibernética na Huawei, Mika Lauhde espera que a perceção sobre a empresa mude, a partida Cimeira do G20, na próxima semana, em Osaka na qual espera que se conclua que a via de desconfiança "não é a correta".

"Esperamos que haja um pensamento racional, em Osaka. E a conclusão será que esta via da desconfiança não é a correta, na disputa comercial. Envolver esta tecnologia e esta empresa, pressionado outro países ou distribuidores, não é o caminho certo. Percebo que os países tem os seus interesses nacionais. Mas, meter este tipo de empresas privadas no meio, não é a forma certa de agir", defendeu o vice-presidente, considerando mesmo que a empresa até tem contribuído para melhorar a perceção sobre segurança e até a privacidade, depois do debate que se gerou em torno da empresa.

"Tem funcionado como um catalisador numa discussão, que não estava realmente a ocorrer na Europa, antes da Huawei", disse o antigo diretor da Nokia, vincando que a discussão que se gerou por causa da empresa chinesa "está aumentar a perceção geral sobre o significado da segurança, e também a criar uma certa linha de regras básicas e de práticas que vão melhorar a privacidade e a segurança geral".

Rejeita acusação

O vice-presidente da Huawei garante que tecnicamente nem há condições para fazer espionagem, num mundo em que a informação cibernética está praticamente toda indecifrável.

"Se todo o tráfego da Internet está encriptado, em qualquer lugar, de que forma é que a Huawei podia, nem que fosse ajudar a espiar, se não tem acesso às chaves de desencriptação do sistema?", questiona, assegurando que a empresa "não o faz".

"Não é fisicamente possível, e isto também significa que nem os chineses, nem os EUA, nem qualquer outro governo será capaz de espiar as ligações, independentemente de quem for o fornecedor da ligação".

"Na verdade, isso [a espionagem] já é impossível. O que os EUA estão a dizer não é verdade, nem sequer de forma aproximada. Se pensarmos que quando [Edward] Snowden revelou a descoberta de atos de espionagem [dos EUA], na Europa, o tráfego geral da Internet foi encriptado, mas apenas parcialmente - aproximadamente 12 por cento. Ao passo que no estado atual, já ultrapassamos 75 por cento de encriptação de dados. Ou seja, a encriptação é uma ferramenta que torna os conteúdos indecifráveis para todos os que não possuem as chaves de encriptação, exceto para o seu proprietário", frisou, acrescentando que a ideia de que a empresa pode fazer espionagem tem um erro como ponto de partida.

"Há a ilusão de que, de alguma forma, os fabricantes estão sempre com algum tipo de ligação com a rede. Mas, não é esse o caso. Porque ligamo-nos apenas quando o operador, - o proprietário legal do componente -, nos solicita", esclareceu, apontando exemplo de situações em que a Huawei pode ser chamada a intervir na rede.

"Por exemplo, para fornecer atualizações, resolução de problemas, ou qualquer outra coisa desse tipo. Mas, o proprietário terá sempre o controlo, sabendo se acedemos à rede, por onde acedemos e quanto tempo lá estamos", porém "as decisões não estão do nosso lado. É o operador que tem total controlo sobre o que está a acontecer na rede, e não a Huawei", disse.

"Nós somos os fornecedores dos "gadgets", fornecemos os componentes da rede, damos apoio para a instalação e, depois, desligamo-nos. Quando os clientes nos pedem, ajudamo-los, resolvemos os problemas e depois desligamo-nos", garantiu à TSF, vingando que "isto também significa que nenhum governo, venha do ocidente ou do leste, é capaz de nos utilizar como fonte ou instrumento, para entrar na rede".

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