Número de mortos em protestos no Chile sobe para 18. Portugueses "estão bem"

Nas últimas 24 horas registaram-se 169 atos de violência no país.

Pelo menos 18 pessoas morreram nos protestos que abalam o Chile desde há seis dias, segundo um novo balanço anunciado esta quarta-feira pelo subsecretário do Interior, Rodrigo Ubilla. Uma criança e um adulto morreram na sequência de um atropelamento no sul do país e uma outra pessoa num bairro da capital, elevando assim o número de mortos de 15 para 18.

Nas últimas 24 horas registaram-se 169 atos de violência no país, explicou Ubilla, nos quais 979 pessoas foram detidas. Do total de detenções na terça-feira, 592 ocorreram durante o período de recolher obrigatório, que se reproduziu em muitas áreas do sul do país.

"Quero destacar aqui que houve uma capacidade mais eficaz das forças policiais e de segurança em termos de evitar estas pilhagens e incêndios", afirmou o subsecretário do Interior.

O embaixador de Portugal no Chile diz que as manifestações continuam, mas a situação é mais calma e está a regressar lentamente à normalidade. Entrevistado pela TSF, Luís Lorvão conta que desde sábado que Santiago está quase parado.

"Entre os portugueses residentes não houve assim grandes pedidos de ajuda e até agora não houve nenhuma situação muito preocupante. Entre os turistas sim, houve algumas situações de pânico porque o aeroporto, com tantos voos cancelados, transformou-se numa situação complicada e alguns turistas ficaram um pouco assustados", explicou Luís Lorvão.

Embora as autoridades tenham reconhecido que a violência diminuiu em relação ao dia anterior, as manifestações foram replicadas novamente em todo o país na terça-feira e o mesmo deve acontecer esta quarta-feira, por ocasião da convocação de uma greve geral.

Nesse sentido, Ubilla observou que houve 54 marchas de protesto em todo o Chile no último dia em que cerca de 220.000 pessoas participaram. Rodrigo Ubilla indicou ainda que 95 militares e polícias e 102 civis ficaram feridos nos confrontos entre manifestantes e forças do Estado.

Já o Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH) aponta no seu último balanço, divulgado esta quarta-feira, para 269 feridos, 137 por arma de fogo, nos protestos. Este organismo contabilizou desde a passada quinta-feira 1.894 detenções.

Do total de 18 mortos, entre os quais estão dois cidadãos colombianos, um equatoriano e um peruano, o INDH contabilizou cinco casos ocorridos devido à intervenção de agentes do Estado. Além disso, constaram relatos de tortura e abuso de agentes das forças do Estado durante os protestos nos últimos cinco dias

As manifestações decorrem desde sexta-feira em protesto contra um aumento (entre 800 e 830 pesos, cerca de 1,04 euros) do preço dos bilhetes de metro em Santiago, que possui a rede mais longa (140 quilómetros) e mais moderna da América do Sul, e que transporta diariamente cerca de três milhões de passageiros.

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