"Nunca fomos por atalhos." Comissária da Saúde aguarda avaliação à vacina da AstraZeneca

A agência Europeia do Medicamento apresenta, esta quinta-feira, os resultados da avaliação de segurança à vacina da AstraZeneca.

A comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides, espera que as dúvidas em torno da vacina da AstraZeneca sejam esclarecidas, e não se levantem problemas de confiança em relação à estratégia número 1 de combate à Covid-19. O regulador europeu está há vários dias a realizar novos estudos ao fármaco desenvolvido pelo grupo anglo-sueco em parceria com a Universidade de Oxford, para procurar uma relação entre a administração da vacina e casos raros - mas graves - de coagulação do sangue. Questionada pela TSF, numa entrevista coletiva, em Bruxelas, com cinco órgãos de comunicação europeus, a comissária disse esperar que as dúvidas fiquem esclarecidas com o estudo da Agência Europeia do Medicamento.

Stella Kyriakides espera que a confiança dos europeus nas vacinas não seja beliscada pelos problemas em relação ao fármaco da AstraZeneca, nomeadamente, porque "em matéria de segurança", na União Europeia "nunca baixamos a fasquia, nem nunca fomos por atalhos", vincou a comissária. "Por isso, uma vez que uma opinião definitiva da Agência Europeia do Medicamento esteja tomada, creio que o que precisam de fazer é comunicar isto muito claramente, porque é com comunicação e transparência que se constrói a confiança. E nós precisamos de ter confiança nas vacinas", afirmou. Para a comissária, trata-se de uma questão de urgência, e lança um pedido às entidades envolvidas: "É muito importante combatermos o caso da hesitação vacinal, que não está relacionada apenas com uma vacina. Continuamos a ter hesitação vacinal em alguns dos Estados-membros. E precisamos de, todos em conjunto, abordar isto".

Stella Kyriakides espera que a Agência Europeia do Medicamento dê um contributo para que os planos de vacinação não sofram mais atrasos, pois "a questão relevante é pesar a importância da vacinação dos cidadãos, em relação aos riscos colocados pela Covid-19", apontou, insistindo que "precisamos de vacinar os cidadãos o mais rapidamente possível, especialmente por causa da situação provocada pelas variantes". Ainda assim, a comissária admite que a questão da confiança pode vir a colocar-se, dependendo da opinião da Agência. "Se a opinião da Agência Europeia do Medicamento for de que a utilização da vacina continua ser segura, então teremos de abordar a questão da confiança dos cidadãos", admitiu, embora "acredite" que tal possa ser feito de "forma muito eficaz, se os profissionais de saúde, os especialistas, em conjunto com a Agência Europeia do Medicamento, falarem a uma só voz sobre isto".

A vacina foi suspensa em mais de duas dezenas de países, incluindo Portugal. O impacto da medida cautelar no programa nacional de vacinação começa a fazer-se sentir, particularmente, a partir do próximo domingo, quando deveriam começar a inoculação de professores, agora que as escolas voltaram a funcionar. A ministra Marta Temido espera que "sejam breves dias", até que a administração vacina possa ser retomada. A ministra acredita mesmo que a suspensão da vacina da AstraZeneca tem um caráter "temporário e provisório".

Marta Temido considera que não há qualquer razão para perdas de confiança "no processo de vacinação e na Comissão e nas agências europeias" - o processo de vacinação "não sai, em momento nenhum, beliscado por nós, com transparência, darmos nota de que, num contexto de uma doença nova e de medicamentos novos, termos momentos em que temos incertezas". "Temos total confiança naquilo que é o trabalho da Agência Europeia do Medicamento e na segurança das vacinas por si aprovadas", apontou a ministra.

Na terça-feira, a diretora da Agência Europeia do Medicamento, Emer Cooke considerou que "os benefícios continuam a ultrapassar os riscos" de tomar a vacina, embora tenha reconhecido que se trata de "uma preocupação grave, e precisa de uma avaliação séria". "É a nossa responsabilidade focarmo-nos na ciência associada a esses riscos. Se há evidência científica que demonstre que são provocados pela vacina", afirmou, prometendo "análises rigorosas de todos os casos reportados, para avaliarmos se se trata de uma coincidência, ou realmente, uma relação causa efeito". A diretora da Agência Europeia do Medicamento revelou ainda que os especialistas europeus estão a preparar-se para analisar incidentes com outras vacinas. "Estamos a olhar para outros eventos associados a outras vacinas", avançou, embora "de momento, o foco seja a AstraZeneca, porque foram os incidentes reportados na Europa".

"Temos visto os dados de todas as vacinas atualmente em circulação, e aparenta haver número semelhante de situações, a surgir pelo mundo. E algo que tem de ser avaliado pelo nosso comité", admitiu.

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