"O Afeganistão foi, e é, um grande laboratório do combate contra o terrorismo"

O Coronel Jorge Torres, que por duas vezes participou em missões da NATO no Afeganistão, esteve na ISAF em 2012 e, no ano passado, na Resolute Support Mission. Entre uma missão e outra passaram oito anos e foi possível notar a evolução nas tropas afegãs.

Em entrevista à TSF, o Coronel de Infantaria Jorge Torres fala da experiência e do orgulho que sentiu pelos "rasgados elogios" aos militares portugueses. Elogios feitos pelos parceiros da Aliança Atlântica, mas também pelos militares afegãos.

Não vai esquecer-se do país montanhoso de muitos contrastes. Não vai esquecer-se de Cabul, uma cidade onde no inverno o fumo é tão intenso que as previsões do tempo não indicam nem chuva, nem frio: preveem apenas "smoke" (fumo).

Há 34 anos ao serviço do Exército português, o Coronel de Infantaria Jorge Torres esteve por duas vezes no Afeganistão em missões da Aliança Atlântica.

A primeira, em 2012, integrando a ISAF (Força Internacional de Apoio à Segurança), e a segunda, no ano passado, na Resolute Support Mission, como representante militar sénior no teatro de operações e a exercer funções de Vice-Chefe do Estado-Maior do quartel-general avançado da Componente de Operações Especiais da NATO.

Oito anos separam as duas missões e permitiram ver a evolução nas tropas afegãs. O Coronel Jorge Torres afirma que os "desafios são prementes e contínuos", mas ao fim de oito anos foi possível encontrar "um conjunto de militares mais bem preparados, equipados, prontos a cumprir as suas obrigações e a responder aos desafios de segurança".

As ameaças estão sempre presentes e, por isso, é importante preparar o futuro. O teatro de operações do Afeganistão "foi, e é, um grande laboratório de luta contra o terrorismo". Por isso, o coronel adianta que o "empenhamento neste tipo de teatro de operações, esta exposição ao real enriquece muito", acrescentando que "são novas formas de ver, e de como fazer, que tornam os militares mais fortes, mais capazes, valorizando a qualidade dos soldados de Portugal".

Durante as missões, os "elogios rasgados" vieram dos parceiros da Aliança Atlântica e dos militares afegãos. Na memória do Coronel Jorge Torres ficou a cerimónia de fim de curso de Sargentos de Operações Especiais do Exército afegão em que, "perante alguns milhares de soldados afegãos, o Comandante de Operações Especiais do Exército afegão decidiu chamar à frente um dos nossos sargentos, não só para o agraciar com um louvor, mas para o apresentar a todos os que estavam a ser formados como um exemplo a seguir" descreve, sublinhando que "são estes pequenos e grandes momentos que nos enchem de orgulho".

Pelo Afeganistão passaram alguns milhares de soldados portugueses que interagiram com militares e civis de 39 nacionalidades. O Coronel Jorge Torres diz que a bandeira nacional dava segurança, pelo facto de os militares portugueses serem aceites por todos. Na memória, guarda a cidade de Cabul, a poluição, o cheiro do fumo provocado pela queima de tudo o que possa ser usado para aquecer. Guarda ainda a imagem de um país imenso, cheio de contrastes, um terreno inóspito e montanhas umas a seguir às outras.

O Coronel Jorge Torres é atualmente Comandante do Regimento de Infantaria N.º 19.

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