O mercado de transferências de deputados no Brasil vai começar

De 3 de março a 1 de abril, os políticos brasileiros estão autorizados a mudar de partido, consoante a melhor oferta, numa janela à semelhança das do futebol. E a maioria quer atuar nos clubes - perdão -, nos partidos, dos craques de votos Bolsonaro e Lula.

O mercado de transferências começa esta quinta-feira no Brasil e dura cerca de um mês até ao próximo dia 1 de abril. Como sempre, os craques ouvem as melhores ofertas dos dirigentes interessados no seu concurso e os não tão craques procuram as oportunidades de mercado que sobrarem.

Esta notícia parece sobre futebol, mas é sobre política - política à brasileira.

Desde 2015, o Tribunal Superior Eleitoral do país abriu uma janela na qual os deputados, federais e estaduais, podem trocar de partido, como um jogador troca de clube. E os partidos podem aliciar os deputados mais competitivos, como os clubes buscam os melhores jogadores.

Soa estranho aos ouvidos de portugueses e eleitores de países onde a identidade dos partidos é forte, mas não tanto no Brasil onde no pântano de cerca de 30 partidos com assento parlamentar, a maioria, assumidamente, não é de direita, nem de esquerda, nem sequer de centro. São, no fundo, incubadoras ou barrigas de aluguer para políticos, numa realidade onde se vota muito mais em pessoas do que em formações partidárias.

Dessa forma, como o jornalismo desportivo durante o mercado de transferências de janeiro, o jornalismo político começa a noticiar avidamente as transferências de deputados de um partido para outro.

Os grandes vencedores do mercado, segundo a maioria dos observadores, serão o Partido Liberal porque Bolsonaro, a meio do mandato, migrou para lá e é provável que muitos bolsonaristas, umas dezenas, sigam o líder e tornem esse partido, que há poucos anos apoiava os governos de centro-esquerda de Lula da Silva e de Dilma Rousseff, num laboratório da extrema-direita.

Em paralelo, o Partido dos Trabalhadores, de Lula, deve também atrair muitos políticos de esquerda animados com a liderança do antigo presidente nas sondagens e a perspetiva de poder.

O PSDB, que chegou à presidência, por oito anos, com Fernando Henrique Cardoso, e o PSL, antiga casa de Bolsonaro, pelo contrário, devem perder muita gente.

E depois, claro, há muitos casos pontuais de políticos sem espaço num partido que negociarão o seu passe político com outros que estejam compradores.

O início do campeonato, ou seja, as eleições, estão marcadas para dias 2 e 30 de outubro.

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