O que fez Bolsonaro em sete meses

Em sete meses, as gafes tornaram-se no corredor central do governo de Bolsonaro. Quatro em cada dez brasileiros, ouvidos pelo Instituto Datafolha nesta semana, não conseguem lembrar-se de uma medida sequer que aprovem.

No encontro com aquele que considera sua maior referência política, Donald Trump, o presidente do Brasil atrapalha-se e engana-se no seu próprio slogan.

É uma gafe, acontece.

Mas as gafes, as crises ocas, as brigas gratuitas, as frases non sense, os ataque ferozes a adversários, mas também a instituições e até a aliados, e as fake news oficiais não são acessórios do governo Bolsonaro. São a sua essência. A bizarrice tornou-se o fundamento da política do quinto maior país do mundo, sétima economia global.

Os principais cavalos de batalha do presidente até aqui não foram o combate ao desemprego, a recuperação da economia ou a diminuição da desigualdade. Bolsonaro, pelo contrário, investiu mais tempo na luta contra as cadeiras de bebé nos automóveis, os radares nas estradas, os locais de pesca proibidos, a banana do Equador, o filme sobre Bruna Surfistinha e o Carnaval.

Foi graças a ele, aliás, que o Brasil, de todas as idades, teve acesso a uma sessão de Golden Shower, a prática sexual de urinar sobre o parceiro, que ele divulgou em vídeo nas redes sociais.

No meio, das gafes, que são, portanto, o corredor central do governo Bolsonaro, algumas ameaças perigosas. O presidente desmentiu que houvesse fome no Brasil, defendeu o trabalho infantil, desdenhou dos direitos das mulheres, atacou o meio ambiente, perseguiu os professores, encurralou a cultura, ensaiou o nepotismo e estimulou preconceitos.

No exercício de chefe de estado do Brasil chamou todos os nordestinos de "paraíbas", uma expressão preconceituosa. No dia seguinte, ao se desculpar, disse que amava o Nordeste mas minutos depois já garantia sentir repulsa por quem não é brasileiro.

Enquanto isso, a economia continua estagnada, o desemprego aumenta, a confiança cai e a segurança pública, onde decidiu flexibilizar a posse e o porte de arma, não dá sinais de acalmia.

Mas, em sete meses, Bolsonaro não fez nada de positivo? Quatro em cada dez brasileiros, ouvidos pelo Instituto Datafolha nesta semana, não se conseguiram lembrar de uma medida sequer que aprovassem.

Os outros seis referiram-se à aprovação da reforma da previdência, que na verdade foi conduzida pelo Congresso e obtida apesar de Bolsonaro, e o princípio de acordo do Mercosul com a União Europeia, o mesmo Mercosul que o presidente do Brasil disse que não servia para nada.

No fundo, no fundo, sobram as gafes.

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