Observadores alertam para instrumentalização de jovens para a violência política

Organizações da sociedade civil moçambicana preocupadas com a utilização de jovens em ações violentas na próxima campanha eleitoral.

A plataforma de observação eleitoral Monitor, que agrega organizações da sociedade civil moçambicana, alertou hoje para a utilização de jovens em grupos violentos que impedem partidos de realizar ações de campanha.

"A plataforma está preocupadíssima com a utilização da juventude, muito em particular na província de Gaza, em grupos de choque" para impedir algumas iniciativas públicas, disse hoje Adriano Nuvunga, diretor do Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD), em conferência de imprensa.

Nuvunga apontou como exemplo da ação desses grupos, as agressões de que foi alvo o candidato presidencial do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, na sexta-feira e os bloqueios subsequentes a ações de campanha na mesma região.

"Não houve até agora situações [...] de violência entre caravanas da oposição", mas sempre "entre pessoas vestidas [com adereços] do partido da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder), ora em relação à Renamo, ora ao MDM", acrescentou.

"Não estou a acusar ninguém", frisou, perante uma sala ocupada por jornalistas e membros de organizações da sociedade civil, realçando estar a descrever aquilo que "todas as televisões mostraram: que o denominador comum desta violência" são "pessoas vestidas a vermelho e com o logótipo do partido Frelimo".

Adriano Nuvunga apelou à "contenção de ânimos", tendo em conta que a violência "esteve em alta" nas primeiras duas semanas de campanha e "tende a crescer" novamente na reta final, à medida que se aproxima a data das eleições gerais, 15 de outubro.

A conferência de imprensa serviu para divulgar outros casos de violência eleitoral, como seja, contra as mulheres, de acordo com as cores da sua roupa e do partido político a que estão associadas.

Os observadores denunciaram ainda a obrigação de professores e enfermeiros participarem em ações de campanha eleitoral, mesmo durante o horário de trabalho, o que prejudica tanto alunos como pacientes.

A recolha de cartões de eleitor, destruição de material de campanha e bloqueio de observadores "devidamente credenciados" são outros problemas relatados pela plataforma.

Fazem parte da plataforma Monitor o Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD), o Comité Ecuménico para o Desenvolvimento Social (CEDES), Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil (CESC), Associação Nacional para o Desenvolvimento Auto-Sustentável (ANDA) e Pressão Nacional dos Direitos Humanos (PNDH).

Em 15 de outubro, 12,9 milhões de eleitores moçambicanos vão escolher o Presidente da República, dez assembleias provinciais e respetivos governadores, bem como 250 deputados da Assembleia da República.

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