Ofensiva turca na Síria levou à morte de mais de dez crianças

A UNICEF divulgou que mais de dez crianças morreram devido ao ataque da Turquia na Síria. Por outro lado, a ONU calcula que "quase 70.000 crianças tenham sido deslocadas".

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) indicou esta terça-feira que pelo menos quatro crianças foram mortas e nove ficaram feridas no nordeste da Síria desde o início da ofensiva da Turquia há uma semana.

A UNICEF adiantou num comunicado que sete outras crianças terão sido mortas na Turquia devido aos confrontos.

A operação militar de Ancara, que conta com o apoio de alguns rebeldes sírios, contra a milícia curda Unidades de Proteção Popular (YPG), considerada terrorista pelos turcos, foi lançada a 9 de outubro e continuará até que os seus "objetivos sejam atingidos", disse hoje o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

A agência da ONU para a Infância calcula que "quase 70.000 crianças tenham sido deslocadas" desde o início da invasão.

"Três instalações médicas e veículos médicos e uma escola sofreram ataques. A estação de água de A'louk que fornece água a cerca de 400.000 pessoas em Al-Hasakeh encontra-se fora de serviço", refere a UNICEF no comunicado, adiantando que "pelo menos 170.000 crianças podem precisar de assistência humanitária devido à violência contínua nesta região".

Apesar da violência, a agência das Nações Unidas continua a trabalhar "através dos seus parceiros" para prestar assistência de emergência a famílias que chegam a abrigos coletivos, na reparação da estação de água de A'louk, em cuidados médicos primários.

"Além disso, a UNICEF continua a apoiar o fornecimento de água limpa e a assegurar serviços de saúde e nutrição no campo de Al-Hol, onde vivem mais de 64.000 crianças e mulheres", indica ainda o comunicado, onde é reafirmado o apelo a todas as partes envolvidas no conflito para protegerem as crianças.

A ofensiva da Turquia já provocou o êxodo de 160.000 pessoas, segundo a ONU, e as autoridades curdas na Síria anunciaram hoje a suspensão das atividades de todas as organizações não-governamentais internacionais e a retirada dos seus funcionários da região atacada.

Ancara quer criar uma "zona de segurança" de 32 quilómetros de extensão ao longo da fronteira para manter as YPG (aliadas dos ocidentais no combate aos 'jihadistas' do Estado Islâmico) à distância e repatriar uma parte dos 3,6 milhões de refugiados sírios no território turco.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, 70 civis e 135 combatentes das Forças Democráticas Sírias (FDS, dominadas pelas YPG) morreram, assim como 120 combatentes pró-turcos desde o início das hostilidades, enquanto Ancara indicou a morte de seis soldados turcos e de 20 civis em solo turco.

A ofensiva de Ancara abre uma nova frente na guerra da Síria que já causou mais de 370.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados desde que foi desencadeada em 2011.

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