Olhos postos na Líbia. Secretário de Estado dos EUA apela a "cessar-fogo duradouro"

A conferência internacional sobre a crise na Líbia foi convocada pela chanceler alemã, Angela Merkel, após dez meses de combates iniciados pela ofensiva lançada pelo Exército Nacional Líbio, do marechal Khalifa Haftar, contra Tripoli.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, apelou este domingo em Berlim a um "cessar-fogo duradouro" na Líbia e ao "fim de toda a intervenção estrangeira" no país.

Mike Pompeo falava antes do arranque de uma conferência internacional sobre a crise na Líbia, destinada a impulsionar um processo de paz no país, sublinhando que os Estados Unidos apoiam o envolvimento da ONU.

Antes do encontro, o chefe da diplomacia norte-americana esteve reunido com o homólogo dos Emirados Árabes Unidos, Abdula bin Zayed Al Nahyan, tendo defendido "um processo político liderado pelos líbios".

A conferência internacional sobre a crise na Líbia foi convocada pela chanceler alemã, Angela Merkel, após dez meses de combates iniciados pela ofensiva lançada pelo Exército Nacional Líbio (ENL), do marechal Khalifa Haftar, contra Tripoli, sede do governo de acordo nacional (GAN, reconhecido pela ONU) do primeiro-ministro Fayez al-Sarraj.

Os combates causaram 1500 mortos, incluindo mais de 280 civis, e perto de 150.000 deslocados.

A conferência acontece depois de negociações em Moscovo, sob a égide da Rússia e da Turquia, cujos presidentes, Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan, pediram um cessar-fogo que está em vigor desde domingo passado, apesar de Haftar não ter assinado o acordo, ao contrário de Al-Sarraj.

Além dos dois rivais - o marechal Khalifa Haftar e primeiro-ministro Fayez al-Sarraj - foram convidados a participar na conferência os Estados Unidos, a Rússia, o Reino Unido, França, Itália, China, Turquia, República do Congo, Argélia, Egito, Emirados Árabes Unidos, União Europeia, Liga Árabe e a União Africana.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também vai participar na conferência e pediu às partes para se comprometerem construtivamente com a resolução do conflito.

"Prevê-se uma troca de opiniões sobre a crise líbia, incluindo um ponto sobre o fim das hostilidades; a reconciliação entre as partes em confronto e a exposição do diálogo político, sob os auspícios das Nações Unidas", indicou uma nota do gabinete do Presidente russo ao anunciar a deslocação de Putin a Berlim.

Antes o seu chefe da diplomacia, Sergei Lavrov, tinha indicado que os projetos de textos finais da conferência estavam quase concluídos, lamentando, no entanto, que os beligerantes recusem encontrar-se frente a frente.

A Líbia, que dispõe das mais importantes reservas africanas de petróleo, é palco de violência e de lutas pelo poder desde a queda e morte em 2011 do ditador Muammar Kadhafi, após uma revolta popular e uma intervenção militar conduzida pela França, Reino Unido e Estados Unidos.

Atualmente a Líbia conta com dois "governos", um em Tripoli e outro no leste. A nível regional, o de Al-Sarraj recebe ajuda da Turquia e do Qatar, enquanto o ligado a Haftar é apoiado pela Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Egito, rivais de Ancara.

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