OMS alerta: varíola dos macacos "é preocupante porque não segue os padrões típicos"

Pela primeira vez, o vírus monkeypox está a espalhar-se em países nos quais a doença não é endémica através de transmissão comunitária, mas a OMS acredita que ainda é possível travar um contágio em massa.

Todos os dias novos países registam casos de varíola dos macacos, o que leva a Organização Mundial de Saúde a deixar um alerta: "A situação é preocupante porque não segue os padrões típicos que vimos antes" nesta doença.

Em declarações ao jornal espanhol El Mundo, o porta-voz da OMS na Europa, Tarik Jasarevic, explica que nos últimos anos foram detetados surtos na República Centro-Africana, na República Democrática do Congo e na Nigéria, com casos esporádicos noutros países, importados por viajantes. Mas "é incomum ver tantos casos noutros países e ver a disseminação de pessoa para pessoa em países não endémicos (...) sem qualquer ligação com viagens a países endémicos".

O paciente zero ainda não foi identificado, mas "a prioridade agora é travar a transmissão", aponta o responsável da OMS. Os países afetados devem, nesse sentido, rastrear contactos e apertar a vigilância. "Qualquer paciente com suspeita de varíola do macaco deve ser investigado e isolado (e alvo de cuidados médicos)".

Perante a aproximação do período de férias de verão, a OMS lembra que os viajantes devem estar especialmente atentos, evitando, também o contacto com animais que podem ser portadores do vírus.

"Os viajantes para países endémicos devem ser aconselhados a evitar o contacto com animais doentes (vivos ou mortos) que possam abrigar o vírus da varíola dos macacos (roedores, marsupiais, primatas) e abster-se de comer ou manusear carne de animais de caça."

Aplicam-se, inclusive, as lições que todos aprendemos durante a pandemia de Covid-19: "A importância da higienização das mãos através do uso de água e sabão ou desinfetante à base de álcool".

O porta-voz da OMS na Europa ressalva que a varíola dos macacos "geralmente não se propaga rapidamente entre pessoas e requer um contacto físico próximo". Por esse motivo, com ação imediata é possível evitar uma transmissão em massa, acredita Tarik Jasarevic.

A situação atípica já levou, no entanto, a OMS a alterar os planos para a vacinação. Um grupo de especialistas em imunização ia rever as atuais diretrizes em outubro - até a agora a vacina contra a varíola só era administrada preventivamente a profissionais de risco, como alguns trabalhadores laboratoriais ou socorristas, mas "será necessário acelerar o processo".

A vacinação contra a varíola revelou-se 85% eficaz na prevenção de infeções pelo vírus monkeypox, mas foi interrompida para a população geral em 1980, uma vez que a doença foi considerada erradicada no mundo em 1979.

Segundo a OMS, foi aprovada em 2019 uma vacina de terceira geração para prevenção da varíola e varíola dos macacos, mas ainda não está disponível no mercado. Está também em desenvolvimento um medicamento antiviral.

A doença foi reportada pela primeira vez no Reino Unido no início de maio e desde aí já chegou a Portugal, Bélgica, França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha, Suécia, Suíça, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Paquistão Emirados árabes Unidos, República Checa, Áustria, Eslovénia e Israel.

Em Portugal, o número de casos confirmados de monkeypox subiu esta terça-feira para 39, distribuídos pelas regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Norte e Algarve.

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