ONU alerta que crise humanitária no Iémen é a "pior de sempre"

País tem registado um recente aumento na intensidade dos combates.

A crise humanitária no Iémen, a mais grave no mundo, está no seu pior momento desde o início da guerra, em 2014, advertiu esta terça-feira a ONU, que avisou que sem um acordo rapidamente acabam as perspetivas de paz.

"A crise humanitária no Iémen nunca esteve pior. Quero ser claro nesse ponto. A fome volta a estar no horizonte, o conflito voltou a subir de intensidade, a economia está outra vez de rastos e as agências humanitárias estão novamente quase arruinadas", vincou o sub-secretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários.

Segundo Marl Lowcock, que intervinha numa reunião do Conselho de Segurança da ONU, à guerra junta-se também a pandemia de covid-19 e o perigo de uma fuga de crude do petroleiro SAFER, abandonado há 12 anos a poucos quilómetros da costa iemenita.

O também coordenador de Socorro de Emergência e chefe do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários lamentou a falta de progressos nas conversações sobre a situação do petroleiro, advertindo que, se se registar um derrame, poderá impedir durante semanas ou meses os portos de Al Hodeida e de Salif (ambos a oeste de Sanaa, em pleno Mar Vermelho), "fundamentais" para a entrega de produtos básicos e para a ajuda humanitária.

Sobre a situação no país, Lowcock lamentou o recente aumento da intensidade dos combates, o que tem dificultado a resposta à crise humanitária, sobretudo por falta de fundos.

Segundo o responsável da ONU, a operação de ajuda ao Iémen "está à beira do colapso", com cortes severos em muitas das atividades prioritárias, como a entrega de alimentos às populações.

Lowcock explicou que há alguns meses era facilitada a entrega mensal de alimentos a 13 milhões de pessoas mas atualmente, devido à falta de recursos, apenas cinco milhões estão a receber rações completas, enquanto os restantes oito milhões estão limitados a metade.

Segundo Lowcock, as organizações de ajuda humanitária só receberam até hoje 18% do dinheiro que necessitam para 2020, o que pode obrigar ao encerramento dos centros médicos e de abastecimento de água potável em várias regiões.

"Sim, mais fundos. Devemos esperar grandes aumentos de casos de fome, de malnutrição, de cólera, de covid-19 e, acima de tudo, mortes", advertiu

No plano político, reconheceu o mediador da ONU para o conflito, Martin Griffiths, "as coisas não estão a avançar como se esperava".

As negociações entre o Governo iemenita e os rebeldes huthis -- que controlam grande parte do país, incluindo a capital, Sanaa -, decorrem há quatro meses sem que se consiga obter um consenso mínimo para um acordo de paz, que engloba o cessar-fogo em todo o país, avançar imediatamente com medidas de cariz humanitário e a retoma das conversações para pôr fim ao conflito.

"As negociações deverão ser concluídas antes que a janela de oportunidade se feche", avisou Griffiths, admitindo que os "poucos progressos" não implicam o fim do "risco real" de um fracasso do processo e que o Iémen entre numa "fase de escalada prolongada", agravada com a propagação da pandemia de covid-19 e com a crise económica.

O conflito armado no Iémen começou em 2014, quando os rebeldes huthis pegaram em armas contra o Governo do Presidente Abdo Rabu Mansour Hadi e conquistaram a capital.

Em março de 2015, a coligação liderada pela Arábia Saudita veio militarmente em apoio a Hadi, levando ao recrudescimento da violência e a elevar a guerra a uma dimensão regional.

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