ONU diz que ataques israelitas a Gaza poderão constituir crimes de guerra

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos referiu que os ataques com foguetes lançados pelo Hamas "são indiscriminados e não distinguem entre alvos militares e civis, pelo que o seu uso constitui uma clara violação do Direito Internacional Humanitário".

Os ataques israelitas na Faixa de Gaza poderão constituir crimes de guerra, disse esta quinta-feira a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, enfatizando que não viu nenhuma prova de que os edifícios visados eram usados para fins militares.

"Se se verificar que o impacto sobre civis e alvos civis é indiscriminado e desproporcional, este ataque pode constituir um crime de guerra", disse Michelle Bachelet na abertura de uma reunião especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU. "Esta escalada está diretamente ligada aos protestos e à forte resposta das forças de segurança israelitas, primeiro em Jerusalém Oriental, depois em todo o território palestiniano ocupado e em Israel", sublinhou Bachelet.

A alta comissária da ONU declarou que os ataques com foguetes lançados pelo Hamas "são indiscriminados e não distinguem entre alvos militares e civis, pelo que o seu uso constitui uma clara violação do Direito Internacional Humanitário".

Quanto aos ataques aéreos israelitas em Gaza, disse que deixaram "muitos civis mortos e feridos, causando destruição em grande escala e danos à propriedade civil".

Os ataques israelitas incluíram "prédios do Governo, residências e edifícios, organizações humanitárias internacionais, instalações médicas, escritórios dos meios de comunicação e estradas que permitem que civis acedam a serviços essenciais, como hospitais", continuou.

Michelle Bachelet disse que, "apesar das alegações de Israel de que muitos desses edifícios abrigavam grupos armados ou eram usados para fins militares, não vimos nenhuma prova a esse respeito".

A alta comissária da ONU também destacou que o facto de implantar meios militares em áreas densamente povoadas de civis ou de lançar ataques a partir delas constitui uma violação do Direito Internacional Humanitário.

De 10 a 21 de maio, 254 palestinianos foram mortos em ataques israelitas na Faixa de Gaza, segundo autoridades locais. Em Israel, disparos de foguetes a partir de Gaza mataram 12 pessoas.

"Não há dúvida de que Israel tem o direito de defender os seus cidadãos e os seus residentes. No entanto, os palestinianos também têm direitos. Os mesmos direitos", insistiu Bachelet.

Finalmente, a alta comissária pediu às autoridades israelitas "que ponham fim imediato ao processo de expulsão" de famílias palestinianas, "de acordo com as obrigações de Israel sob o direito internacional".

O conflito entre palestinianos e Israel, o quarto desde 2008, eclodiu a 10 de maio com o Hamas a disparar foguetes contra Israel em solidariedade às centenas de palestinianos feridos em dias de confrontos com a polícia israelita na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental.

Na origem dos confrontos, está a ameaça de expulsão de famílias palestinianas em benefício dos colonos israelitas.

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