ONU garante que mais de 100 mil crianças migrantes estão detidas nos EUA

Um perito independente da ONU afirma que cerca de 103 mil crianças estão em centros de detenção nos EUA. As situações devem-se exclusivamente a questões migratórias.

Mais de 100 mil crianças migrantes estarão atualmente em centros de detenção nos Estados Unidos, disse esta segunda-feira um perito independente da ONU, esclarecendo que esta estimativa, que classificou como "conservadora", inclui menores não acompanhados e acompanhados pelos respetivos progenitores.

"O número total (de crianças detidas nos EUA) será de 103 mil", afirmou, em declarações à agência francesa France Presse (AFP) em Genebra (Suíça), o perito independente da ONU e principal autor do estudo global das Nações Unidas sobre crianças privadas de liberdade, Manfred Nowak.

O perito, que apresentou este estudo e as respetivas conclusões e recomendações em outubro passado na Assembleia-geral da ONU, em Nova Iorque, admitiu que esta estimativa sobre o número de migrantes menores detidos em território norte-americano é "conservadora", esclarecendo, no entanto, que teve acesso a dados oficiais e a fontes de informação complementares "muito fiáveis".

Manfred Nowak acrescentou que esta estimativa engloba menores que chegaram sozinhos aos Estados Unidos, mas também aquelas crianças que se encontram detidas juntamente com os respetivos progenitores e aquelas que foram separadas dos respetivos pais antes da detenção.

A nível mundial, o estudo aponta para cerca de 330 mil crianças detidas em 80 países por motivos relacionados unicamente a questões migratórias.

"A detenção de crianças em questões relacionadas com as migrações nunca deve ser considerada (...) no interesse da criança. Existem sempre outras soluções", salientou Manfred Nowak.

Já em termos globais, o estudo estima que o número de crianças privadas de liberdade no mundo ultrapasse os sete milhões.

A par dos centros de detenção para migrantes, a ONU refere os casos de menores que são mantidos, por exemplo, em instituições de acolhimento, em esquadras de polícia, em centros de detenção provisórios ou em prisões.

"Fica claro pelas opiniões expressas pelas crianças no estudo que, para elas, a privação de liberdade significa essencialmente a privação da sua infância", sublinhou o perito.

Uma das principais conclusões deste estudo global é que as crianças privadas de liberdade são invisíveis para uma grande maioria da sociedade e que a realidade destes menores constitui uma grave violação da Convenção sobre os Direitos da Criança, documento adotado pelas Nações Unidas a 20 de novembro de 1989 e que este ano celebra 30 anos.

O estudo destaca ainda que as crianças privadas de liberdade pertencem a um dos grupos "mais vulneráveis, discriminados, excluídos e esquecidos" da sociedade contemporânea.

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