ONU pede investigação a relatos de violência sexual contra mulheres

De acordo com a diretora executiva da ONU Mulheres, os crimes sexuais foram causados pela "combinação do deslocamento em massa com a grande presença de recrutas e mercenários, e a brutalidade exibida contra civis ucranianos".

A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu esta segunda-feira uma "investigação independente" aos vários relatos de violações e violência sexual contra mulheres na guerra na Ucrânia, de forma a garantir justiça e responsabilidade por esses crimes.

Numa reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a situação humanitária na Ucrânia, a diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, denunciou o assédio e violência que as mulheres têm sentido e alertou para o aumento do tráfico de seres humanos à medida que a situação na Ucrânia "se torna mais desesperante".

"Cada vez mais ouvimos falar de violações e violência sexual. Essas alegações devem ser investigadas de forma independente para garantir justiça e responsabilidade. (...) Mulheres jovens e adolescentes desacompanhadas correm um risco particular", disse Sima Bahous.

"A combinação do deslocamento em massa com a grande presença de recrutas e mercenários, e a brutalidade exibida contra civis ucranianos, levantou todas as bandeiras vermelhas. (...) Mulheres jovens que saíram de casa à noite, famílias separadas, o medo constante do futuro. Este trauma corre o risco de destruir uma geração. Devemos continuar com o nosso apoio", apelou.

Também a embaixadora norte-americana junto da ONU, Linda Thomas-Greenfield, uma das diplomatas que convocou esta reunião, denunciou que mulheres e crianças estão a ser violadas e abusadas e declarou que o que está a acontecer com mulheres e crianças na Ucrânia "é horrível, além da compreensão".

"Quando homens como o Presidente [da Rússia, Vladimir] Putin iniciam guerras, mulheres e crianças são deslocadas. Mulheres e crianças se magoam. (...) 90% dos refugiados da Ucrânia são mulheres e crianças e isso representa um risco adicional. As mulheres na Ucrânia estão em maior risco de violência baseada em género, incluindo violação, agressão sexual e exploração sexual", salientou a representante norte-americana.

Ainda na reunião desta segunda-feira, a diretora executiva da ONU Mulheres concluiu a sua intervenção com um apelo, pedindo para que as mulheres sejam integradas, consultadas e envolvidas em todas as decisões relacionadas à resposta à crise da Ucrânia.

Sima Bahous frisou que a participação das mulheres "torna a resposta e a recuperação mais eficazes e sustentáveis".

"No meio de todos estes horrores, as mulheres continuam a servir e a liderar as suas comunidades e a apoiar os deslocados internos. As mulheres representam 80% de todos os trabalhadores de saúde e assistência social na Ucrânia. (...) Elas estavam lá antes da guerra, permanecem lá durante e estarão lá para juntar os cacos depois", observou Sima Bahous.

"No entanto, as mulheres estão em grande parte ausentes de qualquer esforço de negociação atual. Pedimos a este Conselho de Segurança, a todos os Estados-membros e aos nossos parceiros humanitários, que garantam a participação significativa de mulheres e meninas, inclusive de grupos marginalizados, em todos os processos de tomada de decisão, paz, diplomacia e humanitários. Sem isso, não teremos paz, desenvolvimento ou segurança humana", finalizou.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que provocou pelo menos 1842 mortos e 2493 feridos entre a população civil, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,5 milhões para os países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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