Oposição argentina ganha legislativas nos principais distritos

Depois de conhecidos os primeiros resultados, o Presidente da Argentina, Alberto Fernández, pediu "prioridades para os acordos nacionais" nesta "nova etapa" que se abre para o país e na qual chegar a um acordo com o Fundo Monetário Internacional será o "maior obstáculo".

A coligação Juntos pela Mudança, principal força da oposição na Argentina, celebrou a vitória nas legislativas parciais de domingo, com o anúncio dos primeiros resultados provisórios.

As listas de candidatos a deputados de coligação de centro-esquerda no poder, Frente de Todos, foram as mais votadas em nove dos 24 círculos eleitorais contra 12 onde a coligação de centro-direita da oposição, Juntos pela Mudança, venceu, de acordo com os resultados provisórios do escrutínio. Os resultados definitivos serão anunciados nos próximos dias.

"Milhões de argentinos disseram basta e derrotaram a tristeza, a frustração, a dor, a raiva", declarou a cabeça de lista de Juntos pela Mudança em Buenos Aires, Maria Eugenia Vidal, que vai passar a ocupar um lugar na Câmara dos Deputados, depois de ter sido governadora da província de Buenos Aires, entre 2015 e 2019.

Nestas eleições legislativas, mais de 34 milhões de eleitores foram chamados às urnas para renovar 127 dos 257 lugares na Câmara dos Deputados, no qual nenhum grupo político tinha maioria, e 24 dos 72 assentos no Senado, dominado pela coligação no poder.

Com 99,4% dos votos contados, Maria Eugenia Vidal conseguiu uma vitória tranquila na capital do país, ao obter 47% dos sufrágios.

Principal bastião da oposição, Buenos Aires é governada desde 2015 por Horacio Rodríguez Larreta, um dos principais membros da Juntos pela Mudança e potencial candidato às presidenciais de 2023.

Na província de Buenos Aires, o maior círculo eleitoral do país, são eleitos 35 dos 127 novos deputados.

Depois de conhecidos os primeiros resultados, o Presidente da Argentina, Alberto Fernández, pediu "prioridades para os acordos nacionais" nesta "nova etapa" que se abre para o país e na qual chegar a um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) será o "maior obstáculo".

"Devemos enfrentar este desafio para reparar, na medida do possível, o enorme dano que este endividamento causou e cujas consequências vão pesar sobre várias gerações", declarou, numa mensagem difundida a partir da residência presidencial.

Convencido de que "é tempo" de resolver o problema da dívida de 44 mil milhões de dólares (38,4 mil milhões de euros) contraída pelo Governo de Mauricio Macri com o FMI, Fernández anunciou que vai enviar para o Congresso, em dezembro, uma proposta de lei com "um programa económico plurianual para o desenvolvimento sustentável".

Perante os resultados iniciais nas legislativas, em que a coligação de centro-esquerda no poder poderá perder a maioria absoluta que detém no Senado há mais de três décadas, o Presidente argentino defendeu uma "relação proveitosa" entre o Governo e o Congresso, na Câmara dos Deputados e no Senado "no interesse geral do país".

Estas foram as primeiras eleições com Fernández no poder, vistas pelos analistas como um referendo à gestão do país.

"Com esta eleição termina uma etapa muito dura do nosso país, marcada por duas crises. Uma, a crise económica, herdada do Governo anterior e da qual ainda há enormes desafios para resolver. Outra, a crise sanitária, causada por uma cruel pandemia que, a pouco e pouco, vamos superando", afirmou.

Em diferentes passagens do discurso, o Presidente argentino destacou os sinais de recuperação da economia, que cresceu perto de 9% este ano e no início do próximo terá recuperado o que perdeu em 2020.

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