Oposição chilena apresenta acusação para destituir Piñera pelo caso Pandora Papers

Acusação constitucional soma-se a uma investigação penal aberta pelo Ministério Público há cinco dias.

Deputados de todos os partidos da oposição chilena apresentaram ao Congresso, esta quarta-feira, uma acusação para destituir o Presidente do país, Sebastián Piñera, pela polémica venda de uma mineradora num paraíso fiscal, revelada no caso Pandora Papers. O presidente Piñera usou "o cargo para negócios pessoais", afirmou o deputado Tomás Hirsch ao apresentar a acusação na Câmara dos Deputados. O primeiro passo de um processo de destituição que pode demorar várias semanas.

Esta acusação constitucional, que segundo o presidente conservador chileno "não tem fundamento nenhum", soma-se a uma investigação penal aberta pelo Ministério Público há cinco dias pela mesma operação: a venda, em 2010, da mineradora Dominga por parte de uma empresa dos filhos de Piñera, quando o Presidente estava no primeiro mandato, entre 2010 e 2014. Agora, a Câmara dos Deputados deverá decidir se aprova ou rejeita a acusação. Uma votação que acontecerá na primeira semana de novembro, revelaram fontes do Congresso à AFP.

Se for aprovada, a acusação seguirá para o Senado que, por sua vez, definirá o destino de Piñera, cujo segundo mandato, iniciado em março de 2018, terminará a 11 de março de 2022.

A publicação dos Pandora Papers, há dez dias, aumentou a pressão sobre Piñera, um dos homens mais ricos do Chile, que insiste na sua inocência e alega que abandonou a administração das empresas em 2009, antes de assumir o primeiro mandato como Presidente. O que significa que não teve participação na venda da mineradora Dominga.

De acordo com uma investigação dos meios de comunicação social chilenos Ciper e LaBot, que integra as reportagens sobre os Pandora Papers do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), a mineradora Dominga foi vendida ao empresário Carlos Alberto Délano, amigo íntimo de Piñera, por 152 milhões de dólares. Um negócio feito, em parte, nas Ilhas Virgens Britânicas.

O governo de Piñera, segundo a investigação, acabou por não proteger a área da mina, o que significa que o terceiro pagamento foi concretizado.

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