Organizações preocupadas com promessa de um Twitter sem controlo de discursos de ódio

A Amnistia Internacional, a Human Rights Watch e União das Liberdades Civis dos Estados Unidos estão preocupados com a promessa de Elon Musk de mudar a rede social Twitter, agora que a comprou, e de a tornar um espaço sem controlo de discursos violentos. Já para aliados do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, a compra do Twitter é um gesto em "defesa da liberdade".

A especialista da Human Rights Watch Deborah Brown disse à agência Reuters que não importa quem detém o Twitter, mas sim as responsabilidades da plataforma de garantir direitos a quem usa a rede social.

Ao mesmo tempo, o diretor de Tecnologia e Direitos Humanos da Amnistia Internacional para os Estados Unidos, Michael Kleinman, disse que a última coisa de que o mundo precisa é um Twitter que faz vista grossa a violência e discursos de ódio contra utilizadores da rede, por exemplo contra mulheres, pessoas não binárias e outros grupos historicamente discriminados.

Kleiman acrescenta que o Twitter "tem a responsabilidade de proteger os direitos humanos, incluindo o direito de viver sem discriminação e violência".

A União das Liberdades Civis dos Estados Unidos sublinhou a mensagem e explicou que empresas como o Twitter "desempenham um papel profundo e único para permitir o novo direito à expressão 'online'". Esta organização acrescenta que deve haver preocupação quando qualquer agente central poderoso, seja um governo ou uma pessoa com dinheiro, (...), tenha tanto controle sobre os limites do nosso discurso político 'online'".

Já para aliados e simpatizantes do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, a compra do Twitter por parte de Elon Musk é um gesto em "defesa da liberdade".

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do Presidente, publicou mensagens nas quais criticava as dúvidas que a operação levantou. Os parlamentares brasileiros de esquerda "não vão dormir com a possibilidade de o Twitter ficar livre", escreveu.

O irmão e senador, Flávio Bolsonaro, partilhou publicações de apoio a Musk e pediu ao magnata para reativar a conta do ex-Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que já anunciou não pretender voltar à plataforma.

Já o próprio Jair Bolsonaro, investigado pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro por divulgar notícias falsas sobre a Covid-19 e o sistema eleitoral, também deu a entender que estava satisfeito com os planos de Musk para o Twitter. Partilhou uma publicação em que o magnata pediu aos críticos para o seguirem no Twitter,
por ser "isso que significa a liberdade de expressão". Bolsonaro recomendou ainda um artigo que explica como desativar a conta, para quem não quiser ficar no Twitter de Elon Musk.

O ministro das Comunicações brasileiro, Fábio Faria, deu aos parabéns a Musk, fundador da Tesla e da SpaceX, nas redes sociais pela possível aquisição do Twitter por 44 mil milhões de dólares (cerca de 41 mil milhões de euros). "Mais uma vez ele [Musk] está dois passos à frente de outros agentes e agora está a dar um gesto ao mundo em defesa da liberdade", disse Faria.

A deputada Carla Zambelli celebrou o acordo, por representar "uma grande derrota para a esquerda mundial, que pretende silenciar qualquer voz dissonante".

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