Óscares 2021: violência policial nos EUA, diversidade e apelos à igualdade

Chloé Zhao fez história ao ser a primeira mulher asiática a vencer o Óscar de Melhor Realização e a segunda mulher, nos 93 anos de história dos prémios, a conquistá-lo.

Diversidade e atualidade marcaram a 93.ª edição dos Óscares. Nos discursos houve referências à violência policial nos Estados Unidos e apelos à igualdade e à aceitação.

Chloé Zhao fez história ao ser a primeira mulher asiática a vencer o Óscar de Melhor Realização e a segunda mulher, nos 93 anos de história dos prémios, a conquistá-lo, depois de Kathryn Bigelow, em 2020, com "Estado de Guerra".

"Isto é para todos os que foram capazes de se agarrar à bondade que têm dentro de si e à que existe dentro dos outros", afirmou Zhao no seu discurso de agradecimento.

Logo ao início da noite, a atriz Regina King, primeira apresentadora da cerimónia, relembrou o julgamento de Derek Chauvin, o polícia acusado da morte de George Floyd, referindo que "se as coisas tivessem acontecido de forma diferente em Minneapolis", teria trocado os saltos altos pelas "botas de combate".

Aquando da entrega do prémio de "Melhor Curta Metragem" para "Two Distant Strangers", Travon Free, fez também uma alusão aos acontecimentos mais recentes dos Estados Unidos, relembrando os cidadãos negros que já morreram às mãos da polícia. "Não sejam indiferentes à nossa dor", afirmou.

No mesmo plano, Will McCormack e Michael Govier, que venceram "Melhor Animação de Curta Duração" com "If Anything Happens I Love You", dedicaram a vitória para "todos aqueles que perderam entes queridos para a violência armada".

Viola Davis entregou a Tyler Perry o "Prémio Humanitário Jean Hersholt" pela fundação que criou para ajudar os desfavorecidos, nomeadamente os membros da comunidade afro-americana. Perry apelou à igualdade e à aceitação, recusando os discursos de ódio.

"Quando me proponho a ajudar alguém, é minha intenção fazer exatamente isso", afirmou, sublinhando a importância de ensinar as futuras gerações a "recusar o ódio"

O ator dedicou o prémio a "qualquer pessoa que queira ficar no centro". "Não importa o que esteja ao redor das paredes, fiquem no centro porque é onde a cura acontece, é onde as conversas acontecem, é onde a mudança acontece. Acontece no centro", rematou.

Uma cerimónia de Óscares com diversidade

Mia Neal e Jamika Wilson fizeram história ao serem as primeiras afro-americanas a vencer o Óscar de Melhor Caracterização, pelo trabalho no filme "Ma Rainey: A mãe dos blues".

Nos entrevista de bastidores que se seguiu à entrega das estatuetas, esta madrugada em Los Angeles, Mia Neal disse que a vitória foi como uma "experiência fora do corpo", e salientou a importância deste momento para os artistas de minorias étnicas.

"Toda a gente beneficia da diversidade. E toda a gente a quer", afirmou Neal, que recebeu o Óscar juntamente com Jamika Wilson e Sergio Lopez-Rivera.

"Houve uma aceleração dos tempos, em termos de tecnologia e de todas as pessoas estarem mais conectadas", afirmou, considerando que esta aproximação contribuiu para a diversificação em curso.

"Não sinto qualquer resistência. Estou entusiasmada quanto ao futuro, penso que todos devemos estar", frisou.

No discurso de aceitação do Óscar, Mia Neal já tinha referido a vitória como um "quebrar do teto de vidro", perspetivando um futuro em que mulheres transgénero, asiáticas, latinas e indígenas possam pisar o mesmo palco com uma estatueta na mão.

"Sei que, um dia, isso não será fora do normal nem inovador, será apenas normal".

Sergio Lopez-Rivera ecoou esse sentimento nas entrevistas de bastidores e Jamika Wilson, a cabeleireira pessoal de Viola Davis - que interpreta Ma Rainey no filme da Netflix - falou do significado desta vitória para toda a comunidade e apelou a que "tragam mais afro-americanos para os estúdios".

A vitória do trio acontece dois anos depois de, em 2019, Hannah Beachler ter sido a primeira afro-americana a vencer o Óscar noutra categoria técnica, Melhor Direção de Arte, com o filme "Black Panther", em conjunto com Jay Hart.

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