Pai de aluna trocou mensagens com atacante de professor decapitado em França

Pai que apelava num vídeo nas redes sociais a uma mobilização contra o professor divulgou o seu número de telefone no Facebook, na mensagem que acompanhava o conteúdo.

O pai de uma aluna que apelou nas redes sociais a uma mobilização contra o professor assassinado na sexta-feira na região parisiense trocou mensagens por telefone com o agressor nos dias anteriores ao ataque, segundo fonte próxima do dossiê.

As mensagens foram trocadas através da aplicação WhatsApp, adiantou esta terça-feira a mesma fonte, confirmando uma informação do canal televisivo BFMTV.

Samuel Paty, 47 anos e professor de história, foi decapitado na sexta-feira à tarde nas proximidades da escola onde dava aulas em Conflans-Sainte-Honorine, nos arredores de Paris. O alegado homicida - Abdouallakh Anzorov, 18 anos e de origem chechena, com estatuto de refugiado em França - morreu baleado pela polícia.

Num vídeo divulgado a 8 de outubro nas redes sociais, mais de uma semana antes do atentado, aquele pai apelava a uma mobilização contra o professor após uma aula sobre as caricaturas de Maomé, à qual a sua filha teria assistido. O homem deu o seu número de telefone na rede social Facebook, na mensagem que acompanhava o vídeo.

A sua filha integra de facto a turma à qual Samuel Paty deu uma aula sobre a liberdade de expressão a 6 de outubro, mas neste dia faltou, segundo fonte próxima do dossiê.

A 12 de outubro o pai divulgou no YouTube um novo vídeo tendo como alvo o professor, onde é visto na companhia do ativista islâmico Abdelhakim Sefrioui.

Os dois homens estão sob custódia no âmbito da investigação antiterrorista, juntamente com outras 13 pessoas, incluindo quatro alunos.

Alguns investigadores acreditam que vários estudantes indicaram por dinheiro quem era o professor Samuel Paty ao 'jihadista' que o decapitou.

O ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, declarou esta terça-feira que "há elementos" que sugerem esta possibilidade, sendo que quatro estudantes foram detidos - um quinto estudante foi libertado sem acusações - devido a suspeitas de estarem implicados no desenvolvimento do ataque.

Em entrevista ao BFMTV, Blanquer sublinhou que, a ser verdade, "seria gravíssimo" e demonstraria "a penetração entre os mais jovens de uma certa visão de mundo", a do "islamismo fundamentalista" através das redes sociais e de certas organizações.

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