Paleontólogos moçambicanos descobrem pela primeira vez fósseis de dinossauros

O paleontólogo português sublinhou que estão "a criar a primeira geração de paleontólogos moçambicanos".

Paleontólogos moçambicanos descobriram e estudaram pela primeira vez fósseis de dinossauros no seu país, no âmbito de um projeto de cooperação com o Instituto Superior Técnico de Lisboa, envolvendo investigadores portugueses, foi anunciado esta quinta-feira.

"Pela primeira vez, estudantes de mestrado moçambicanos avançaram com uma investigação, que resultou na publicação do seu primeiro artigo científico", afirmou à agência Lusa o paleontólogo português Ricardo Araújo, do Instituto Superior Técnico, da Universidade de Lisboa.

O paleontólogo português sublinhou: "Estamos a criar a primeira geração de paleontólogos moçambicanos, que já produz os seus próprios resultados científicos". Ricardo Araújo, a sul-africana Iyara Maharaj, o norte-americano Kenneth Angielczyk e os moçambicanos Zanildo Macungo, Nelson Nhamutole, Sheila Zunguza e Nelson Mugabe são os autores do artigo científico que foi agora publicado no Journal of African Earth Sciences.

Nas campanhas de prospeção e escavação do projeto PaleoMoz em plena savana africana, na província do Niassa, os investigadores descobriram, na mesma jazida, duas espécies de dicinodontes Endothiodon, dinossauros herbívoros antepassados dos mamíferos que viveram há 259 milhões de anos, durante o Pérmico.

"Os endothiodons são dinossauros relativamente raros", explicou o paleontólogo português.

A equipa encontrou o primeiro Endothiodon bathystoma de Moçambique e o segundo a nível mundial, depois da Tanzânia. Já o Endothiodon Tolani era conhecido em Moçambique desde 1975, após descobertas portuguesas.

"Não se estava à espera de que as duas espécies coexistissem na mesma bacia e no mesmo local", adiantou Ricardo Araújo.

As duas espécies encontram-se "muito completas", com ossos de toda a parte do corpo dos animais, enquanto até agora, das espécies já conhecidas da comunidade científica internacional, apenas se conhecia o crânio.

A maior variedade de fósseis permitiu aos paleontólogos melhor conhecer o género e obter mais informação anatómica e paleobiológica. O projeto PaleoMoz resulta de uma cooperação entre o Instituto Superior Técnico e duas instituições moçambicanas, o Museu Nacional de Geologia e a Universidade Eduardo Mondlane.

O projeto é financiado pela Fundação Aga Khan, Fundação para a Ciência e Tecnologia e pela National Geographic Society.

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