"Para onde vais, Covid-19?" Especialistas discutem Covid-19, mas dúvidas permanecem

"Health, Economic and Political Responses to the Covid-19 Pandemic" é o nome da conferência da Gulbenkian onde especialistas de todo o mundo se sentaram (cada um nas suas casas) para discutir a pandemia da Covid-19.

Com um impacto ainda desconhecido na Europa e no mundo, o novo coronavírus gerou antes de mais uma crise de saúde pública que os especialistas esperam que tenha resposta na descoberta de uma vacina ou antivirais capazes de neutralizar a Covid-19. Em todo o mundo, testam-se alternativas, mas a comunidade científica avisa que para já o melhor é mesmo limitar a propagação da doença, cuja dimensão está longe de ser conhecida.

Numa videoconferência transmitida pela Gulbenkian, especialistas discutiram respostas para a saúde, a economia e a política para combater a Covid-19. "Quo vadis, Covid 19?" ou, em língua portuguesa, "Para onde vais, Covid-19?" A questão foi colocada por Filipe Froes, responsável da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Pulido Valente, e deixa margem para poucas respostas e inúmeras perguntas.

Akiko Iwasaki, investigadora da Universidade de Yale e uma das especialistas do primeiro painel, tem dúvidas sobre quando estaremos livres da pandemia, mas explica que há caminhos que já estão traçados, sendo que "o distanciamento social achata a curva, mas não inibe o vírus", o que leva, na sua visão à necessidade de "um plano sustentado para lidar com esta crise, incluindo vacinas e antivirais".

E apesar dos esforços que estão a ser feitos em vários países do mundo para encontrar uma solução para tratar os infetados com o novo coronavírus, Froes acredita que a Europa chegará em breve a um milhão de infetados. Por essa razão, deixa uma palavra de ordem: mitigar.

"Se não mitigarmos a pandemia, podemos esperar um pandemónio porque vai atingir toda a gente", alerta.

Até porque, acrescenta Gabriela Gomes, biomatemática da escola de Medicina Tropical de Liverpool, suprimir o número de casos não evita uma segunda vaga da pandemia, mas é o melhor a fazer para já.

"Suprimir é o que podemos fazer agora e imunizar depois, esperando ter uma vacina que nos ajude a complementar a imunidade que a infeção gera naturalmente", explica a especialista.

À procura da garantia de imunidade, "testar, testar, testar" e "conter, conter, conter" são os verbos que compõem o mote no ataque ao novo coronavírus. Miguel Soares, do Instituto Gulbenkian Ciência, coloca no distanciamento social toda a força da prevenção.

Já Stewart Cole, responsável do Instituto Pasteur, mantém a esperança numa vacina, mas sublinha que "demorará pelo menos seis meses" até que esteja "pronta a ser usada em humanos". "E isto é sendo extremamente otimista", aponta.

"Não há nenhuma garantia de que alguma destas vacinas candidatas será bem sucedida, mas o facto de estarmos a identificar anticorpos em doentes em convalescença faz-nos acreditar que poderemos desenvolver uma vacina eficaz", acrescenta.

Certo é que, para os especialistas, é ainda muito cedo para falar em passaportes de imunidade e a discussão sobre o novo coronavírus e as formas certas para o combater ainda precisam de muita discussão.

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