Parlamento da Finlândia debate pedido para referendo sobre adesão à NATO

Uma sondagem feita no país mostrou, pela primeira vez, uma clara maioria a favor da adesão da Finlândia à Aliança Atlântica.

O parlamento finlandês vai debater esta terça-feira uma petição, criada por cidadãos, que pede a realização de um referendo sobre a adesão à NATO, numa altura em que no leste da Europa a Ucrânia enfrenta a invasão da Rússia.

A primeira-ministra da Finlândia, Sanna Marin, explicou, numa publicação divulgada na rede social Twitter, que os partidos vão ser convidados a manifestarem as suas posições em relação a esta petição.

Mas "o debate não visa uma discussão mais ampla sobre a posição finlandesa para a adesão ou não a uma aliança militar", especificou.

Esta discussão ocorre num momento em que uma sondagem aponta pela primeira vez uma clara maioria a favor da adesão da Finlândia à Aliança Atlântica, após o ataque autorizado pelo Presidente russo, Vladimir Putin, à Ucrânia.

A petição criada por cidadãos reuniu na sexta-feira as 50 mil assinaturas necessárias para a discussão no parlamento, depois de ter sido criada em 21 de fevereiro.

"É útil ouvir os pontos de vista dos partidos sobre esta questão", sublinhou Sanna Marin.

Os cidadãos pedem na petição que seja realizado um referendo sobre a adesão.

A posição de Helsínquia, que reafirmou nos últimos dias que não tem nenhum projeto de adesão, apesar da ofensiva russa sobre a Ucrânia, não deve, assim, sofrer alterações.

Moscovo também alertou na sexta-feira que a adesão à NATO pela Finlândia, ou pela vizinha Suécia, teria "repercussões militares e políticas", uma ameaça que tem sido repetida regularmente nos últimos anos.

Mas o debate parlamentar decorre num momento em que a visão da opinião pública mudou repentinamente, na sequência da crise ucraniana, seguida da invasão pela Rússia.

Uma sondagem da televisão pública Yle aponta que 53% dos finlandeses se manifestaram a favor da adesão do seu país à Aliança Atlântica, 28% estão contra e 19% indecisos.

"É um resultado absolutamente histórico e excecional", salientou à agência AFP Charly Salonius-Pasternak, investigador do Instituto Finlandês de Assuntos Internacionais.

Em janeiro, uma sondagem semelhante do jornal Helsingin Sanomat, dava apenas 28% das pessoas a favor de uma adesão.

O país nórdico, membro da União Europeia, anunciou esta segunda-feira a decisão "histórica" de fornecer armas à Ucrânia.

A Finlândia fornecerá 2.500 armas de assalto, 150 mil munições, 1.500 lança-roquetes e 70.000 rações de campanha, precisou o ministro da Defesa, Antti Kaikkonen.

Tradicionalmente, a Finlândia, que tem mais de 1300 quilómetros de fronteira com o vizinho russo, não exporta armas para zonas de conflito.

Até agora, este país nórdico apenas tinha decidido enviar coletes à prova de balas, capacetes e um hospital móvel para a Ucrânia, para apoiar este país contra o exército russo.

A Rússia lançou na quinta-feira de madrugada uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que já mataram mais de 350 civis, incluindo crianças, segundo Kiev. A ONU deu conta de mais de 100 mil deslocados e quase 500 mil refugiados na Polónia, Hungria, Moldova e Roménia.

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que a "operação militar especial" na Ucrânia visa desmilitarizar o país vizinho e que era a única maneira de a Rússia se defender, precisando o Kremlin que a ofensiva durará o tempo necessário.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armas e munições para a Ucrânia e o reforço de sanções para isolar ainda mais Moscovo.

ACOMPANHE AQUI TUDO SOBRE O CONFLITO ENTRE A RÚSSIA E A UCRÂNIA

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de