Partygate: Boris Johnson pode ter os dias contados como primeiro-ministro

Professora de Ciência Política na Universidade de Leeds acredita que a sucessão de notícias sobre festas durante o confinamento pode acabar por levar os próprios conservadores a afastarem Boris Johnson.

Cristina Leston-Bandeira, professora de Ciência Política na Universidade de Leeds em Inglaterra acredita que a sucessão de notícias sobre festas em Downing Street durante o confinamento pode acabar por levar os próprios conservadores a afastarem Boris Johnson.

Downing Street já pediu desculpas à rainha pelas duas festas realizadas na véspera do funeral do príncipe Philip. O porta-voz do primeiro-ministro admitiu que é "profundamente lamentável que isso tenha ocorrido num momento de luto nacional". Pelo que avançou o Telegraph, em primeira mão, as festas aconteceram no dia 16 de abril de 2021 e continuaram até a madrugada. Boris Johnson não esteve em nenhuma dessas festas, mas tinha estado numa outra a 20 de Maio de 2020 nos jardins da residência oficial e agora enfrenta os pedidos dos trabalhistas, dos liberais democratas e do SNP para que se demita. Os próprios conservadores começam a manifestar desconforto e alguns já se pronunciaram publicamente.

Para Cristina Leston-Bandeira, a tolerância dos conservadores em relação a Boris Johnson está a esgotar-se. "Boris Johnson é visto como uma máquina de ganhar eleições, funcionou no Brexit, funcionou nas eleições de 2019 e, portanto, muito do caos e da incompetência de Boris Johnson é aceitada porque se vê sempre nele uma figura que ganha eleições", mas nas últimas semanas as sucessivas notícias de festas em Downing Street durante o lockdown têm desgastado a imagem do primeiro ministro britânico e "cada vez mais há vozes dentro dos conservadores a considerar que Boris Johnson não deve continuar à frente do governo".

O próprio líder dos conservadores escoceses já pediu a demissão de Boris Jonhson.

A professora de Ciência Política que vive no Reino Unido e é especialista em parlamento revela que a conclusão do relatório sobre as festas é aguardado com expectativa. "Muitas pessoas veem a publicação desse relatório como o momento em que mais deputados conservadores virão a público pedir a demissão do primeiro-ministro e, depois, há um processo dentro do partido conservador que pode levar a uma moção de não confiança no líder", explica. Foi assim que Teresa May, por exemplo, foi afastada do cargo de primeira-ministra.

Questionada sobre qual será o cenário mais provável, se Boris Johnson demitir-se por iniciativa própria ou se ser afastado pelo próprio partido, Cristina Leston-Bandeira considera que é mais provável ser o partido a afastá-lo. "Toda a gente pensa que Boris Johnson não pedirá a demissão, mas isso nunca se sabe. O partido conservador é muito brutal em fazer os seus líderes demitirem-se. Margaret Tatcher foi demitida pelo partido, Theresa May foi demitida pelo partido. tendo em conta a personalidade de Boris Johnson, a expectativa é que se ele se demitir é porque é empurrado pelo próprio partido", afirma a professora.

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