Pelo menos 133 mortos em 15 meses de protestos no Haiti

Protestos abalaram seriamente o país caribenho, levando à renúncia de três primeiros-ministros.

Pelo menos 133 pessoas morreram e 551 ficaram feridas nas constantes manifestações políticas que se realizaram no Haiti entre outubro de 2018 e dezembro de 2019, refere um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado esta segunda-feira.

Do total de mortes registadas, 60 são atribuídas a ações da polícia e as outras 73 à violência de gangues ou a outros indivíduos armados não identificados, lê-se no relatório, que assinala também 700 casos de violação de direitos humanos e outros abusos contra os manifestantes.

O relatório refere ainda que nas manifestações que culminaram em violência foram aquelas em que houve um "maior número de violações e abusos" e lembra que entre os 60 mortos devido à ação da polícia, sete eram mulheres e dois eram menores.

Além disso, o documento revela também que período mais violento ocorreu entre setembro e dezembro, com o registo de 30 mortes devido às ações policiais e por "uso indevido de armas letais", a que acrescem 34 mortes em resultado de tiroteios de gangues.

"No verão de 2018, os protestos começaram de uma forma pacifica, em geral, mas com o passar do tempo tornaram-se cada vez mais marcados pela violência", assegura o relatório.

Esses protestos abalaram seriamente o país caribenho, levando à renúncia de pelo menos três primeiros-ministros, Jean Henry Céant, Jack Guy Lafontant e Jean Michel Lapin.

O relatório relembra a obrigação do governo haitiano de respeitar os direitos humanos e critica as "poucas investigações" que foram abertas sobre os abusos cometidos durante os protestos, advertindo que "nenhum indivíduo foi ainda responsabilizado".

O documento esclarece ainda que as constantes manifestações e o uso habitual de barricadas, com a imposição de "servidões de passagem" em alguns casos, têm afetado fortemente o quotidiano da população ao restringir a sua liberdade de movimento, o acesso aos cuidados de saúde e à educação.

O relatório da ONU foi concluído em dezembro de 2019, sendo que depois desta data os continuaram os protestos contra o presidente Jovenel Moise, tendo apenas diminuindo nos primeiros meses da pandemia de Covid-19.

Na semana passada, os protestos da oposição reiniciaram-se, numa altura em que o presidente haitiano está a fazer pressão para que seja elaborada uma nova Constituição e em que anunciou que as eleições presidenciais se realizarão em setembro deste ano.

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