Pelo menos 20 mortos em protestos em várias cidades de Myanmar

Desde o golpe de Estado de 1 de fevereiro, a junta militar deteve mais de 3.000 pessoas, incluindo Suu Kyi e grande parte do seu Governo.

Pelo menos 20 pessoas, incluindo uma criança com 13 anos, morreram devido à repressão das forças armadas birmanesas, a novos protestos em várias cidades de Myanmar (antiga Birmânia) contra a junta militar resultante do golpe de Estado.

As 20 mortes registaram-se, nomeadamente, em Rangum, a maior cidade do país, Lashio, Mandalay, Meikhtila, Kyaukpadaung e Kyeikhto, e também "muitos" feridos graves, segundo a imprensa local e testemunhas, citadas pela agência de notícias Efe, mas ativistas e jornalistas, nas redes sociais, aumentam o número de mortes para 40.

Ativistas pró-democracia tinham apelado a novas manifestações contra o golpe de Estado de 1 de fevereiro no "Dia das Forças Armadas", celebrado com uma exibição do arsenal militar, num desfile em Naypyidaw perante o chefe do exército e chefe da junta no poder, general Min Aung Hlaing.

A Efe relatou que a polícia e os soldados, "mais uma vez reprimiram brutalmente os protestos, disparando contra os manifestantes e também contra outros civis, nas ruas e dentro de suas casas", mas que a maioria dos manifestantes é pacífica e só alguns enfrentam os militares atirando 'coktails' molotov ou foguetes pirotécnicos artesanais.

Segundo uma jornalista local, Mai Kaung Saing, citada pela agência de notícias France-Presse, hoje, antes de amanhecer registaram-se repressões a manifestantes em Rangum, capital económica do país, enquanto num comício de estudantes em Lashio, no estado nordeste de Shan, a polícia e soldados abriram fogo sobre a multidão.

"As pessoas não tinham começado a protestar, não tinham sido proferidos 'slogans'. O exército e a polícia chegaram e dispararam com munições reais sem qualquer aviso", contou a jornalista.

Ao início da manhã, milhares de soldados, tanques, mísseis e helicópteros desfilaram perante generais e convidados, incluindo delegações russas e chinesas, numa cerimónia anual de celebração do início da resistência do exército birmanês à ocupação japonesa durante a Segunda Guerra Mundial.

Os militares tomaram o poder em 1 de fevereiro com o pretexto de uma suposta fraude eleitoral nas eleições de novembro, que afastou do poder a vencedora do Prémio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, agora acusada de corrupção.

A Associação Birmanesa de Assistência a Presos Políticos (AAPP), no mais recente relatório, contabiliza pelo menos 328 mortos devido à violência policial e militar, número que não inclui as mortes de hoje.

Desde o golpe, a junta militar deteve mais de 3.000 pessoas, incluindo Suu Kyi e grande parte do seu Governo, a maioria das quais mantidas incomunicáveis.

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