Pequim insta Hong Kong a manter tolerância zero com o vírus

A advertência foi feita por um alto funcionário da Comissão de Saúde da China e pelo Diário do Povo após Hong Kong ter diagnosticado, pela primeira vez, mais de mil casos diários.

As autoridades chinesas instaram esta quarta-feira Hong Kong a manter tolerância zero com a Covid-19, alertando que qualquer alteração para uma política de coexistência com o vírus resultaria num desastre para a região semiautónoma.

A advertência foi feita por um alto funcionário da Comissão de Saúde da China e pelo Diário do Povo, o jornal oficial do Partido Comunista da China, após Hong Kong ter diagnosticado, pela primeira vez, mais de mil casos diários.

"A chamada estratégia de 'coexistir com o vírus' não está comprovada cientificamente. Implementá-la traria uma enorme pressão sobre o sistema sanitário, já para não mencionar que atrasaria a retomada das viagens sem quarentena com o continente", apontou o Diário do Povo, num comentário sobre a situação epidémica na cidade.

A China mantém uma política de tolerância zero com a doença, agora designada, oficialmente, como "dinâmica zero casos", e que envolve testes em massa e medidas de confinamento quando um surto é detetado.

O Diário do Povo clarificou que esta estratégia não almeja "zero infeções", mas é antes uma estratégia geral, voltada para a "descoberta precoce e ação rápida", visando "interromper a transmissão comunitária contínua".

A estratégia "incorpora um conceito antiepidémico que prioriza pessoas e vidas e que também provou alcançar resultados máximos com custo mínimo", referiu o jornal.

O especialista em controlo de doenças da Comissão de Saúde da China, Liang Wannian, disse que a estratégia ainda é aplicável a Hong Kong, apontando a cidade como sendo de "maior risco", devido à alta densidade populacional e frequentes intercâmbios internacionais.

Em entrevista a um canal chinês, Liang sugeriu que as autoridades de Hong Kong devem rastrear os contactos próximos através da análise de dados móveis e expandir o alcance dos testes em massa.

"Só podemos viver com o vírus quando houver medicamentos mais eficazes (...) É ainda muito cedo para desistir", disse.

Uma pesquisa realizada, no mês passado, pelo Partido Democrata de Hong Kong (pró-democracia), mostrou que 65% dos entrevistados consideraram que a cidade deve preparar-se para viver com o vírus.

Outro inquérito realizado na mesma altura, pelo Instituto Bauhinia, pró-Pequim, constatou que 68% concordavam que a adoção da estratégia de zero casos está de acordo com os interesses da sociedade.

Desde o início da pandemia, Hong Kong registou 15.176 casos de Covid-19 e 213 mortes, de acordo com as autoridades do território.

A Covid-19 provocou pelo menos 5.748.498 de mortes em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

A variante Ómicron, que se dissemina e sofre mutações rapidamente, tornou-se dominante do mundo desde que foi detetada pela primeira vez, em novembro, na África do Sul.

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