Perto de 20.000 voluntários de todo o mundo estão a combater forças russas

Os comandantes das forças ucranianas questionam as intenções de cada voluntário, excluindo os "sanguinários" e "extremistas".

Cerca de 20.000 voluntários de todo o mundo já se juntaram às forças ucranianos nos combates contra os invasores russos, mas os comandantes destas unidades garantem que questionam as intenções dos voluntários e excluem os "sanguinários" e "extremistas".

O comandante de cerca de 700 militares da Legião Georgiana, Mamuka Mamulashvili, revelou esta quinta-feira ao 'site' Politico que está a questionar as intenções de cada voluntário que procura juntar-se ao seu batalhão de combatentes estrangeiros na Ucrânia.

"Preciso de apenas uma motivação... para salvar pessoas e civis", realçou Mamulashvili, numa entrevista telefónica àquele órgão de comunicação onde não revelou o local onde se encontra na Ucrânia.

Mamuka Mamulashvili realça que tem eliminado voluntários com visões radicais ou com ligações a organizações de extrema-direita.

"Eu não quero sanguinários que procuram vir para aqui e matar alguém", garantiu.

No entanto, os seus homens estão em guerra contra a Rússia e o comandante procura mais voluntários, quando o conflito já atingiu um mês de duração.

O Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky tinha adiantado no início do mês que 16.000 estrangeiros estavam no seu país para combater as forças russas.

Poucos dias depois, as fileiras de voluntários foram estimadas em 20.000 pelo general ucraniano Kyrylo Budanov, em declarações à CNN.

Mamuka Mamulashvili revelou que comanda militares profissionais de dezenas de países, a maioria dos Estados Unidos, Reino Unido e Geórgia, de onde é natural e que também já foi invadida pela Rússia.

Em detalhe, Mamulashvili contou que a sua legião foi a primeira a enfrentar os russos no aeroporto de Hostomel, na região de Kiev.

Sobre a linha da frente, o comandante referiu que a única mudança nos últimos oito antes de combate vem dos céus: "são os ataques aéreos, são permanentes com mísseis balísticos a caírem a qualquer momento.

Para este combatente, uma zona de exclusão aérea, pedida incessantemente por Volodymyr Zelensky ao Ocidente, poderia "salvar muitas vidas".

"Enquanto estou a falar consigo oiço bombardeamentos pesados. Este ataque não é apenas um som, são vidas de crianças, mulheres, principalmente da população civil", realçou.

Mas esta não é a única força de combate estrangeira na Ucrânia.

Damien Magrou, porta-voz da Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia, contou que a sua força de combate é composta por um grande contingente de voluntários britânicos, norte-americanos e polacos.

Mas combatentes dos países bálticos e do Canadá, que tem a maior diáspora ucraniana do mundo a seguir à Rússia, apareceram em números consideráveis.

Magrou adiantou que recebeu grupos de canadianos que lutaram lado a lado no Afeganistão e até um grupo de vizinhos da mesma vila georgiana.

"O sentimento comum para todos os que vieram e se inscreveram na legião é que tínhamos vontade de fazer algo sobre o conflito. Não podemos apenas assistir passivamente enquanto as bombas caem sobre alvos civis nas grandes cidades da Ucrânia", confessou em entrevista ao Politico.

Este cidadão francês, que vive em Kiev há vários anos, recusou-se a fornecer detalhes sobre o número total de combatentes, ou sobre de que partes do mundo se deslocaram.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou, entre a população civil, pelo menos 1.035 mortos, incluindo 90 crianças, e 1.650 feridos, dos quais 118 são menores, e provocou a fuga de mais 10 milhões de pessoas, entre as quais 3,70 milhões para os países vizinhos, segundo os mais recentes dados da ONU.

Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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