"Pin parental." Mais de 128 mil espanhóis contra proposta polémica do Vox

Segundo a secretária-geral da União dos Estudantes, a medida pretende fazer das salas de aula "uma plataforma política e ideológica para difundir o ódio da extrema-direita, do franquismo, do racismo, da homofobia e do machismo".

Mais de 128.000 pessoas já assinaram em Espanha um texto contra o "pin parental" proposto pelo partido de extrema-direita Vox, que pretende o consentimento dos pais para que os filhos frequentem aulas com conteúdo moral ou sexual.

A possibilidade de os pais vetarem certos aspetos da educação dos filhos nas escolas públicas é completamente rejeitado pelo Governo de esquerda e por uma grande parte da comunidade educativa.

A proposta polémica da direita radical, que a quer impor nas regiões onde o seu apoio é necessário para aprovar os orçamentos autonómicos, como Múrcia, Andaluzia ou Madrid, está a dividir a sociedade espanhola e é o principal tema de debate político dos últimos dias.

Uma petição, que já tem mais de 128 mil assinaturas, foi lançada na sexta-feira passada e defende que o "pin parental" vai contra a Constituição e as leis da Educação, além de ir contra a autonomia das escolas e a liberdade dos professores para ensinar.

"Ninguém tem o direito de educar os seus filhos no ódio à diversidade, no sexismo, na xenofobia e numa infinidade de males sociais que se tentam combater através da educação", conclui a petição.

O influente responsável pela organização do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e ministro dos Transportes, José Luis Ábalos, censurou no sábado a "ultra-direita" por tentar controlar a educação pública através de um "veto parental", termo que em sua opinião define melhor a iniciativa "pin [alfinete] parental" promovida pela Vox na região de Múrcia.

Nove comunidades autónomas dominadas pelos socialistas - Aragão, Astúrias, Baleares, Canárias, Castela-Mancha, Extremadura, La Rioja, Navarra e Valência - assinaram um texto contra o veto parental no qual, com o título "Educar em liberdade e para a liberdade", afirmam que esta medida "não tem lugar" no sistema educativo espanhol.

No texto, publicado pelo diário El País, os responsáveis pela Educação destas nove comunidades afirmam, em referência à medida Vox, que "o veto e a censura não são admissíveis nas instituições de ensino".

O líder do maior partido da oposição, o Partido Popular (PP, direita) afirmou esta segunda-feira que as crianças "obviamente pertencem aos pais" e estes têm a "responsabilidade" de escolher a sua educação utilizando mecanismos como o do "pin Parental", que limitou a atividades extracurriculares.

Em entrevista a uma rádio, Pablo Casado também disse que essa autorização dos pais, que dá a possibilidade de vetar aulas para os seus filhos nas escolas sobre temas como educação sexual, "não é nada do Vox", mas que tinha sido o PP a implementá-la há 15 anos na Comunidade de Madrid e há oito meses na de Múrcia.

Casado já tinha defendido durante o fim de semana que as críticas do Governo à medida não passavam de uma "cortina de fumo" para encobrir o "escândalo" da nomeação da ex-ministra Dolores Delgado como procuradora-geral.

Esta nomeação tem sido muito criticada pela oposição de direita, que acusa o novo Governo que tomou posse na semana passada de ter decidido manipular o Ministério Público, nomeadamente para favorecer uma política de diálogo com os separatistas catalães que pretendem a liberdade de vários políticos regionais presos pelo seu envolvimento na tentativa de independência de 2017.

A polémica está longe de acabar, tendo a União dos Estudantes e a associação Livres e Combativas anunciado esta segunda-feira a convocação de uma greve geral "estudantil, feminista, antifascista e antirracista" a 6 de março próximo para impedir "a ofensiva da direita" de querer impor o "pin parental" nos estabelecimentos de ensino.

Segundo a secretária-geral da União dos Estudantes, Coral Latorre, a medida pretende fazer das salas de aula "uma plataforma política e ideológica para difundir o ódio da extrema-direita, do franquismo, do racismo, da homofobia e do machismo".

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